08 março 2018

O REFERENDO MALTÊS SOBRE A ADESÃO À UNIÃO EUROPEIA ATÉ FOI A SÉRIO

Já não é a primeira vez em que, mais recentemente, tenho evocado aqui referendos realizados em Malta*. O da evocação de hoje teve lugar há precisamente 15 anos, a  8 de Março de 2003, e nele se decidia a vontade dos malteses em aderir ou não à União Europeia. Como se pode ler no mapa acima, a participação dos malteses foi elevada (91%) e a conclusão foi disputada, embora clara (53,6% a favor da adesão). Eu bem sei que Malta é um país pequeno das franjas da Europa a que não se presta grande atenção, mas, se evoco o referendo maltês, é para destacar como ele contrastou com os realizados naquele mesmo ano nos outros países que vieram a ser admitidos na União Europeia em 2004, onde se registaram grandes unanimidades, mas baixas participações, como se, nesses países, a adesão fosse apenas o fado que fora traçado pelas elites nacionais. Eram tempos diferentes, em que as opções pareciam poder ser apresentadas aos respectivos eleitorados como se de uma coreografia se tratasse e os desfechos estivessem garantidos de antemão. Tanto assim que, quase precisamente dois anos depois do referendo maltês, a 12 de Março de 2005, o primeiro-ministro português José Sócrates anunciava na sua tomada de posse, a realização do seu referendo para seguir a moda (abaixo). Azar o de Sócrates que, quando quis seguir a moda, a moda já estava a sair de moda...

* Espero que no caso maltês se continue a empregar o género neutro (em Malta) e, a bem de evitar a cacofonia, não se proceda a uma migração súbita para o género feminino (na Malta) como aconteceu recente e extemporaneamente com Chipre, nesse caso do neutro (em Chipre) para o género masculino (no Chipre).

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