13 dezembro 2017

O ALARGAMENTO QUE (RE)COLOCOU A ALEMANHA NO CENTRO DA EUROPA

13 de Dezembro de 2002. Durante a Cimeira de Copenhaga, que reunia os quinze chefes de Estado e de governo da União, foi anunciado o futuro alargamento da organização de quinze para vinte e cinco estados membros (assinalados a amarelo no mapa acima). Essa expansão viria a concretizar-se em 1 de Maio de 2004 mas o que era possível discernir de imediato na intenção era uma ruptura completa com o processo de alargamento da União que, compassadamente, viera a decorrer até aí: aos seis membros originais, haviam-se vindo a juntar mais três em 1973, um outro em 1981, mais dois (incluindo Portugal) em 1986 e ainda outros três em 1995 (nove países em 22 anos). Há precisamente quinze anos, anunciava-se um pacote de 10-países-10 sem que se ouvisse por parte dos dirigentes europeus uma expressão de quaisquer preocupações quanto aos efeitos que essa decisão poderia provocar nos delicados equilíbrios internos da União Europeia, equilíbrios esses que haviam sido sempre cuidadosamente sopesados em todos os alargamentos precedentes. O único efeito que parecia evidente para quem conhecesse a História da Europa dos últimos 150 anos era o ingresso em bloco na União de toda a região que ficara designada na época áurea do expansionismo alemão por Mitteleuropa (abaixo). Com a nova configuração, a Alemanha, que nos quase cinquenta anos precedentes sempre fora o Leste da Europa Ocidental, passava a ser o Centro da Europa redesenhada. Não iria ser a última vez em que se constatava que, aquilo que a Alemanha queria e a que a França não se opunha, não seria necessariamente o melhor para a instituição União Europeia.

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