13 janeiro 2018

A CONSPIRAÇÃO DOS MÉDICOS JUDEUS

13 de Janeiro de 1953. Há 65 anos, o jornal Pravda, o órgão oficial do partido comunista da União Soviética, conjuntamente com a agência noticiosa TASS, anunciavam em destaque a descoberta «de uma organização terrorista de médicos que atentaram contra a vida de importantes personalidades soviéticas por meio de diagnósticos erróneos». Eram essas as citações contidas na edição desse dia do Diário de Lisboa, que prosseguia: «muitos desses médicos, de origem judaica, tinham íntimas ligações com a organização nacionalista burguesa judaica J.O.I.N.T.» A organização fora criada pelos serviços secretos para auxiliar os judeus «mas, na realidade (era) para exercer espionagem, terrorismo e outras actividades clandestinas em vários países da União Soviética». Entre as vítimas destacáveis identificavam-se Andrei Zdanov, por causa de um «falso diagnóstico», e Aleksandr Shcherbakov, a quem «encurtaram a vida» com «tratamentos errados e perigosos». Outros alvos (fracassados) haviam sido altas patentes do Exército Vermelho, casos dos marechais Vasilevsky, Govorov e Konev, do general Shtemenko e do almirante Levchenko. As acusações eram sérias, o precedente da Grande Purga que tivera lugar há 15 anos estava presente na memória de todos, só que desta vez a tipologia dos visados se revestia de um anti-semitismo indisfarçável, uma atitude a que já se assistira em outros países do Leste da Europa e que era desconfortável perante uma opinião pública mundial que vira os judeus sair da Segunda Guerra Mundial na condição de vítima preferencial do nazismo. A hostilidade para com os dois milhões de judeus soviéticos que haviam sobrevivido ao Holocausto permanecia (e permanecerá) viva, como se pode apreciar pela imagem abaixo. Mas a cobertura oriunda do Kremlin a toda a «conspiração» desapareceu subitamente com a morte de Estaline que se ocorreu sete semanas depois deste anúncio. Na sequência e com excepção de dois médicos que entretanto haviam morrido na prisão, todos os restantes «conspiradores» foram libertados e retomaram as suas antigas funções.

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