24 janeiro 2018

45 ANOS DE UMA GRANDE ALDRABICE

Edição de 24 de Janeiro de 1973 do Diário de Lisboa onde o destaque vai, inteirinho, para o anúncio do Cessar-Fogo no Vietname. A História virá demonstrar que se trata de uma gigantesca fraude de onde qualquer uma das três partes envolvidas não se sai bem. O Vietname do Norte que intimamente não tem intenção de cumprir o acordo. Os Estados Unidos que, sabendo disso, estão-se marimbando para que o Vietname do Norte queira prosseguir a sua guerra em data posterior, desde que, para já, possam sair de um conflito a que hajam dado a aparência de ter terminado, para que se cumprisse a promessa eleitoral que Richard Nixon fizera em 1968. E o Vietname do Sul que, sabendo de uma coisa e de outra, e que em vez de procurar meios para conseguir subsistir autonomamente frente à agressão do seu vizinho, apenas se queixa da duplicidade de inimigos e de aliados, feito um Calimero (então na moda). Clímax de toda a encenação: no final desse ano de 1973, o Comité Nobel Norueguês atribuiu o Prémio Nobel da Paz aos dois negociadores principais que aparecem na fotografia acima, o norte-vietnamita Lê Đức Thọ e o norte-americano Henry Kissinger. Fossem quais fossem as razões que invocou, o primeiro teve a decência de o recusar enquanto o segundo, mesmo tido como o brilhante analista estratégico do Ocidente, ao aceitar o prémio, acabou por fazer figura de cínico, sem escrúpulos, ou de ingénuo, desmentido a sua craveira intelectual.

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