17 novembro 2017

«I AM NOT A CROOK»


17 de Novembro de 1973. Em Orlando, Florida, na presença de uma plateia de 400 quadros da Associated Press, mas dirigindo-se ao auditório televisivo de muitos milhões, o presidente Richard Nixon assume um discurso estranhamente auto-confessional que, de tão deslocado, acaba apenas por aumentar as suspeitas que incidem sobre si: «...Quero dizer isto à audiência televisiva. Cometi os meus erros, mas em todos os meus anos na vida pública nunca beneficiei dos meus cargos, mereci o que ganhei, até ao último tostão. E em todos os meus anos na vida pública nunca coloquei entraves à justiça. E penso, também, que posso dizer que nos meus anos de vida pública sempre acolhi bem este género de escrutínio, porque as pessoas têm de saber se o seu presidente é ou não é um escroque. Bom, eu não sou um escroque! Tudo o que tenho ganhei-o com o suor do meu rosto.» Dali por nove meses, perante indícios cada vez mais comprometedores da sua interferência pessoal no curso das investigações sobre o Escândalo Watergate, Richard Nixon ver-se-ia obrigado a demitir da presidência dos Estados Unidos.

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