30 junho 2017

A NOITE DAS «FACAS LONGAS»

30 de Junho de 1934. Depois de 17 meses no poder, Adolf Hitler procede a um ajuste de contas com aqueles que, dentro do próprio aparelho do partido e mesmo das áreas ideológicas que lhe são adjacentes, ele considera ainda passiveis de o desafiar. Para ilustrar a vaga de execuções que então teve lugar, o cabeça de cartaz costuma ser Ernst Röhm (acima vemo-lo ao lado de Adolf Hitler e na foto abaixo, autoconfiante, aparece acompanhado de um Heinrich Himmler que parece escutá-lo atentamente). A entrada da Wikipedia em alemão relativa aos acontecimentos, em vez da referência às facas longas comuns a todos os outros idiomas, tem até o título de «Röhm-Putsch», como que a validar a versão oficial de que houvera uma tentativa de golpe a justificar a violência que se seguiria. A identidade dos executados caracterizou-se afinal pela sua heterogeneidade, porque para além de Röhm e outros que lhe eram considerados próximos, incluiu pessoas de perfis tão díspares quanto um antecessor do próprio Hitler como chanceler (chefe de governo), dissidentes da ala esquerda do partido nazi e políticos bávaros com quem os dirigentes nazis tinham contas pessoais a ajustar. Quanto ao número de assassinados, cerca de uma centena, talvez menos, ele pode afinal ser considerado pequeno, considerando tudo aquilo que o III Reich virá a fazer, mas convém não perder de vista a forma intimidatória como os acontecimentos foram apreciados na época, ao assistir-se ao próprio regime que está no poder a permitir-se recorrer a execuções extrajudiciais para regular as suas disputas políticas internas, qual gangue de mafiosos. Esta última comparação até faria sentido se na Alemanha houvesse mafiosos; ora na Alemanha não há mafiosos: os alemães são um povo muito organizado em tudo, menos no crime - o crime organizado que exista na Alemanha deve-se às mafias italianas, turcas, russas, etc. Alemãs, não há nem nunca ninguém ouviu falar.
 

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