22 agosto 2014

O ATENTADO DO PETIT CLAMART

Hoje cumprem-se 52 anos sobre a data do segundo atentado – e o mais sério – que de Gaulle sofreu às mãos da OAS, a propósito do desfecho da questão argelina. Ao fim da tarde, quando o presidente francês acompanhado da esposa realizava um percurso que o levaria do palácio do Eliseu até à Base Aérea de Villacoublay (nos arredores de Paris), local onde um helicóptero os aguardava para os transportar para a sua residência em Colombey-les-Deux-Églises, a viatura presidencial (um Citroën DS 19 - os famosos bocas-de-sapo) foi emboscado e metralhado por um comando de doze homens armados de pistolas-metralhadoras – veja-se a descrição no vídeo acima. Dos quase 200 tiros que os peritos posteriormente estimaram ter sido disparados, 14 foram identificados na carroçaria do DS onde viajava de Gaulle, a esposa, o motorista e o ajudante de campo (e também genro) do general. Embora o vidro traseiro da viatura tivesse sido estilhaçado, nenhum dos passageiros foi atingido. De Gaulle reconheceu publicamente ter tido sorte.
Ao contrário do precedente a motivação para este atentado só podia ser mesmo vingança pessoal: a independência da Argélia tivera lugar um mês e meio antes, a 3 de Julho de 1962, e a hipótese da OAS condicionar de Gaulle visando-o pessoalmente esgotara-se com ela. Todavia, também a reacção de de Gaulle foi bastante personalizada: os implicados vieram a ser julgados por um Tribunal Superior Militar de Justiça de uma legitimidade pelo menos controversa considerada a impossibilidade de recorrer das suas sentenças. Mau grado, o julgamento foi expedito e em 4 de Março de 1963, três dos réus vieram a ser condenados à morte. Foi o próprio de Gaulle, exercendo a sua magnanimidade, que comutou a sentença de dois deles. Porém, o tenente-coronel Bastien-Thiry (abaixo), que fora o mais qualificado responsável pela organização de todo o atentado foi executado por fuzilamento uma semana depois. Costuma atribuir-se a realização de atentados deste género a tresloucados mas este é um caso que demonstra o quanto a política pode gerar animosidades ferozes.

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