30 outubro 2017

QUANDO A VITÓRIA GLORIOSA DE EL ALAMEIN NÃO PARECIA NADA GLORIOSA

Lançada desde 23 de Outubro de 1942, uma semana depois, a batalha de El Alamein não parecia estar a correr nada bem para os Aliados. O ataque sobre as linhas inimigas prosseguia, mas a esperada ruptura da frente teimava em não se concretizar. Tanto assim que a 27 de Outubro Montgomery havia decidido remontar a manobra inicial. Para isso, algumas das divisões envolvidas (algumas destinadas a tornarem-se míticas como a 7ª Blindada ou a 2ª Neozelandesa) tiveram que ser reposicionadas, provocando o afrouxamento do ritmo dos combates e a impressão nas retaguardas que a ofensiva nas quais tantos olhares se concentravam se arriscaria a fracassar. Em Londres, o primeiro-ministro Churchill explodiu furioso: «Nunca conseguiremos descobrir um general que seja capaz de ganhar uma batalha?» No balanço, redige ali mesmo um telegrama pedindo ao general Alexander (o superior de Montgomery) a substituição de um general que já lhe parecia destinado ao fracasso.

Há precisamente 75 anos portanto, a carreira militar de Montgomery não se afigurava propriamente destinada aos grandes sucessos que veio a alcançar. Na ocasião, foi o general Alan Brooke, o Chefe de Estado Maior, que era seu amigo, que o defendeu diante de Churchill, conseguindo-lhe um novo prazo para apresentar resultados. Na página da Wikipedia (em inglês) dedicada à batalha, os sucessos aliados só se começam a consolidar a partir daquilo que se designa por Fase Quatro, a 2 de Novembro. Depois, veio a confirmação da vitória e o esquecimento de tudo o que aconteceu nos momentos difíceis como o demonstra o vídeo acima. Muito melhor prosador do que Comandante em Chefe, Churchill acaba por sair-se de todo o episódio com a reputação de ter guardado para si as palavras históricas que a ocasião mereceria: «Isto não é o fim. Isto nem é sequer o princípio do fim. Mas será talvez o fim do princípio

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