26 novembro 2015

REVER «O CANDIDATO»

O Candidato estreou-se no cinema Império em 26 de Outubro de 1972, durante a longa noite fascista que afinal, constata-se, até permitia estes rasgos de claridade. Não é um filme muito popular nem que o tempo tivesse feito despertar os seus fãs e o seu um culto. Porventura porque o filme não é, como obra, do melhor que nos tem sido permitido apreciar no género dos filmes políticos, mas também porque a mensagem que encerra não é das mais positivas, nem das mais elogiosas quanto às motivações de quem se candidata e ao discernimento de quem vota. Mas é interessante revê-lo, agora que se aproximam as eleições presidenciais em Janeiro de 2016 e em que se antecipa que, ao contrário das legislativas de Outubro, estas vão ser ganhas pela conquista dos votos do centro, alvo para quem se destina as mensagens políticas formalmente mais elaborados e substantivamente mais inócuas.

Em O Candidato o que vai melhorando ao longo do filme é a forma como aquele dissemina a sua mensagem política, o que vai piorando é a substância desta última, cada vez mais vaga para que possa conseguir agradar a todos. 

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