14 março 2015

O DISPARATE POLÍTICO EM POESIA «LIGHT»

Primeiro há a matéria de facto, depois há o nome. Sobre a matéria de facto limito-me a endossar aquilo que sobre ela escreveu Nicolau Santos no Expresso, a respeito da decisão governamental de fingir agora adoptar medidas para reverter o fluxo migratório qualificado e não qualificado dos últimos três anos (resumido acima). Sobre o nome algo pitoresco desse programa – VEM, apropriadamente apresentado por alguém com a sensibilidade literária de um Pedro Lomba – confesso que não consigo evitar associá-lo à leveza monossilábica de um famoso poema – Beijo – de João de Deus:
Beijo na face
Pede-se e dá-se:
Dá?
Que custa um beijo?
Não tenha pejo:
Vá!

Um beijo é culpa,
Que se desculpa:
Dá?
A borboleta
Beija a violeta:
Vá!

Um beijo é graça,
Que a mais não passa:
Dá?
Teme que a tente?
É inocente...
Vá!

Guardo segredo,
Não tenha medo...
Vê?
Dê-me um beijinho,
Dê de mansinho,
Dê!

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