
Ainda a respeito do
PREC, muito se costuma zombar dos maoistas, nomeadamente os do
MRPP, da
fauna que povoava aquela organização e da distância sociológica que mediava entre aqueles filhos da classe média, origem urbana, e frequência universitária, e os
operários e camponeses que
ornamentavam as suas palavras de ordem. Mas, aprecie-se pelo mural acima, como o
MRPP não terá sido caso único entre os
revolucionários daquele período épico. Sob o olhar
patriarcal de Marx e Lenin, também os
operários-camponeses-soldados-marinheiros do
MES se exibiam em grandes murais por essa Lisboa revolucionária, pintados por quem teria muito pouco contacto com os ditos.

Serão diferenças mais de pormenor do que substantivas as que separam o percurso que foi percorrido desde essa época pelo futuro líder do
PSD e Primeiro-Ministro (2002-04)
Durão Barroso (acima, à direita) a partir da sua militância no
MRPP e pelo futuro líder do
PS e da oposição
Ferro Rodrigues a partir da sua no
MES. Aliás, quis o acaso que, apesar do
MRPP ter sido o campeão dos murais revolucionários, foi precisamente diante do mural do
MES que acima publiquei que se tirou a fotografia que melhor sintetiza a dissociação entre as
trupes revolucionárias e o povo: defronte de tanto
empolgamento passa placidamente uma carroça puxada pelo seu jerico. Modernizada, já usa rodas com pneus…
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