13 de Abril de 1919. Depois do fim da Grande Guerra, as elites indianas esperavam dos britânicos a concessão de um estatuto de autogoverno que os equiparasse, de alguma forma, aquele que era usufruído pelos Domínios do Canadá, da Austrália, da Nova Zelândia ou da África do Sul. O investimento que os indianos haviam feito na causa imperial durante a guerra - 1.440.000 soldados mobilizados, cerca de 65.000 mortos - esperava por esse retorno. Só que as autoridades britânicas não queriam nem ouvir falar em tais reivindicações. Refira-se que cerca de 450.000 desses indianos haviam sido recrutados no Punjabe, uma região fértil do Norte da Índia (Punjabe quer dizer cinco rios), onde coexistiam três das grandes religiões da Índia: muçulmanos, hindus e também sikhs. Em Amritsar, capital religiosa desta última confissão, a 13 de Abril de 1919 (um Domingo) dava-se a coincidência de se concelebrar o festival de Ram Naumi por parte dos hindus com o dia de Baisakhi, que era o primeiro dia do Ano Novo sikh. A cidade estava apinhada, abrigando cerca do triplo do que seria a sua população normal de 160.000 habitantes. O ambiente era tenso e a atenção policial era intensa mas o exercício de prepotência mortífera a que as autoridades britânicas se dedicaram teve todo o absurdo que esta reconstituição acima demonstra (foi retirada do filme Gandhi). Mais do que a brutalidade e as vítimas (379 mortos e 1.100 feridos, segundo os números oficiais), as consequências políticas para a presença britânica na Índia foram arrasadoras, ao fazerem desaparecer os moderados entre o movimento nacionalista indiano, aqueles que ainda estariam dispostos a negociar com as autoridades coloniais uma transição pacífica e progressiva da Índia até a um estatuto equivalente ao dos outros Domínios. Os 28 anos que decorrerão até à independência serão um contínuo braço de ferro com os nacionalistas a forçar o calendário dos acontecimentos.
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13 abril 2019
29 março 2019
A ABSOLVIÇÃO DO ASSASSINO CONFESSO DE JEAN JAURÈS
Aqui há uns cinco anos, e para refinar o pedantismo de Vasco Pulido Valente em mais uma das suas crónicas, referi-me aqui no Herdeiro de Aécio ao assassinato de Jean Jaurès, que, nas palavras casuais do cronista, é um acontecimento que se sabe. Obviamente, só mesmo um Vasco Pulido Valente para escrever coisas daquelas. Eu convenço-me que os leitores de Vasco Pulido Valente não sabem quem foi Jean Jaurès, mas sabem quem é Vasco Pulido Valente, e é por isso que tendem a lê-lo com aquela bonomia de não o levar demasiadamente a sério. Mas, se agora retorno ao assunto é porque 29 de Março de 1919 (cumpre-se hoje o centenário) foi a data da conclusão do julgamento do assassino de Jaurès, que permanecera em prisão preventiva por 56 meses, apenas explicáveis porque entretanto se travara a Grande Guerra e o julgamento fora considerado demasiado sensível do ponto de vista político para ser realizado. E o choque é que o julgamento se concluiu há cem anos com a absolvição do réu, apesar deste ter confessado desde sempre a autoria dos factos. O tribunal de júri pronunciou-se no sentido da absolvição por uma votação dos jurados de 11 contra 1. Considerações políticas haviam-se sobreposto aos factos, cilindrando-os. Este desfecho constituiu - e permanece - uma das maiores barracas do prestígio do sistema judicial francês e a chacota da opinião publicada naquela época (abaixo, na legenda pergunta-se sarcasticamente se lhe devolveram o revolver...). Acirrando o ultraje, conferiu-se uma indemnização simbólica de 1 franco aos familiares da vítima, deduzido das custas do julgamento, que recaíram... sobre a viúva Jaurès. Até hoje é uma nódoa irremovível da Justiça francesa, que retém a reputação - a meu ver merecida, por estes factos, mas não só - de obedecer àquilo que o poder político a manda fazer.
Apesar de tudo, a vida do assassino confesso não iria ser nada fácil, por causa da notoriedade adquirida e por causa da perseguição que lhe foi movida pelas organizações de esquerda. Acabaria por se instalar em Ibiza, nas ilhas Baleares em 1932 e, num último retoque de ironia, acabaria por morrer fuzilado, sem qualquer julgamento ou culpa formada, por um destacamento anarquista que, no início da Guerra Civil de Espanha, se decidiu a tomar o poder entre mãos.
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18 março 2019
QUANDO A MILITÂNCIA POLÍTICA PODIA PREJUDICAR GRAVEMENTE A SAÚDE DOS MILITANTES
18 de Março de 1919. Há cem anos, começavam em Moscovo os trabalhos do 8º Congresso do Partido Comunista Russo (bolchevique), no decorrer dos quais veio a ser eleito um renovado Comité Central do Partido, ampliado de 15 para 19 membros. Desconhecido dos delegados comunistas era aquilo que o futuro reservava para a excelsa representação que acabara de eleger. A morte iria arrebatar prematuramente o mais excelso de todos eles, Lenin, em 1924, seguido de Dzerjinsky, em 1926, e de um mais idoso (66 anos) Stučka, em 1932. Mas, dos 16 destacados comunistas de há cem anos que ainda estavam vivos nos meados da década de 1930, 12 vão morrer de uma morte não natural nos cinco anos que medeiam entre 1936 e 1941. Por ordem alfabética: Beloborodov (1938), Bukharin (1938), Evdokimov (1936), Kamenev (1936), Krestinski (1938), Radek (1939), Rakovski (1941), Serebryakov (1937), Smilga (1938), Tomsky (1936), Trotski (1940) e Zinoviev (1936). Se, nesta dúzia de nomes constam nomes de notoriedade diferente (o que não abona em prol da igualdade preconizada pelo comunismo), reconheça-se a forma como compartilharam fraternalmente a fatalidade do destino que lhes foi preconizado pelo seu camarada Stalin (esse, só morreu em 1953), que é outro e muito provavelmente o mais bem sucedido dos membros do renovado Comité Central de que hoje se comemora o centenário.
Recuperando um slogan que só apareceu muitas décadas depois e passando o anacronismo, faz todo o sentido rematar com a opinião de a uma ampla maioria daqueles revolucionários lhes fez bastante mal à saúde terem sido eleitos membros do Comité Central... Tempos idos esses em que nada de pior para a saúde de um comunista do que ser tomado por inimigo por um seu camarada.
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17 março 2019
«UNFORGETTABLE»
17 de Março de 1919. Há cem anos, em Montgomery, Alabama, no Black Belt do Sul dos Estados Unidos, nascia Nathaniel Adams Coles, mais conhecido pelo nome artístico de Nat King Cole.
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03 março 2019
A GREVE GERAL EM BERLIM
3 de Março de 1919. Através do jornal Die Rote Fahne (A Bandeira Vermelha) do KPD (Partido Comunista da Alemanha), em nome dos comités operários de Berlim, proclama-se a Greve Geral:
«Trabalhadores! Proletários! Mais uma vez chegou a Hora! Mais uma vez a Morte ameaça! O Governo "socialista" de Ebert-Scheidemann-Noske tornou-se no carrasco do Proletariado alemão... Em qualquer local que o proletariado controle, Noske envia os seus cães de fila. Berlim, Bremen, Wilhelmshaven, Cuxhaven, Gotha, Erfurt, Halle - essas são os pregos sangrentos da cruz na cruzada de Noske contra o Proletariado alemão. Milhares de irmãos estão a ser maltratados, jogados nas cadeias, assassinados - abatidos como se se tratasse de cães raivosos! Lembrem-se de Rosa Luxemburg e Karl Liebknecht. Os assassinos saem em liberdade protegidos por Ebert-Scheidemann-Noske enquanto os vossos camaradas apodrecem na prisão.
A Revolução só pode avançar passando por cima das sepulturas da maioria Social Democrata.
Pela Greve Geral!
Pela nova Luta Revolucionária!
Pela nova batalha contra os opressores!
Que cesse todo o trabalho! Permaneçam quietos nas fábricas. Não deixem que as tropas as ocupem. Reúnam-se em assembleias. Expliquem as coisas aos camaradas hesitantes ou derrotistas. Não se envolvam em tiroteios inúteis. Noske está apenas à espera disso para ter um pretexto para derramar mais sangue. Agrupem-se nos vossos locais de trabalhos, prontos para a acção às primeiras ordens.
A mais elevada disciplina!
A mais elevada discrição!
Uma Calma de Ferro!
Mas também uma Vontade de Ferro!
Trabalhadores! Proletários! O destino do Mundo está nas vossas mãos! Abaixo com Ebert, Scheidemann, Noske e todos os traidores e assassinos. Abaixo com a Assembleia Nacional (constituinte)! Para a Batalha! Para a Greve Geral!»
Apesar dos cem anos transcorridos, reconhece-se no texto a retórica comunista típica de sempre, mas sublinhei passagens significativas dos tempos que se viviam na Alemanha (não imagino Ana Avoila, por exemplo, a recomendar aos funcionários públicos portugueses que não se envolvam em tiroteios inúteis ...). Depois de uma primeira insurreição em Janeiro de 1919, lançada imediatamente antes das eleições para a Assembleia Constituinte, e que lhes haviam custado a vida aos seus dois dirigentes teóricos de maior envergadura (Rosa Luxemburg e Karl Liebknecht, expressamente mencionados no apelo acima), os comunistas alemães voltavam à carga com uma nova acção insurrecional, cujos contornos eles pretendiam limitar nas fronteiras para cá da violência armada, território que já haviam aprendido que lhes era desfavorável. Era ao governo - social democrata, frise-se, que os odiados Ebert, Scheidemann e Noske do editorial acima são todos políticos social democratas - era a esse governo (também de esquerda) que convinha precipitar os acontecimentos. E eles precipitaram-se dia 9 de Março, com o rumor de que uma das esquadras de polícia de Berlim havia sido assaltada pelos revolucionários, causando 70 mortos. Era um boato, mas era o boato necessário para que, mais do que o exército regular, os elementos paramilitares dos Freikorps (veteranos de guerra acabados de desmobilizar e que, vendo-se sem emprego, regressavam às fileiras) passassem ao ataque. Quando a situação foi dada como controlada, a 13 de Março de 1919, 1.200 a 1.500 pessoas haviam morrido e uma esmagadora maioria dos mortos havia resultado de execuções sumárias. Por exemplo, não é garantido que o prisioneiro da fotografia acima haja sobrevivido muito tempo depois dela. Estes são os episódios da Alemanha de há cem anos, vários anos antes da ascensão de Adolf Hitler ao poder. Quem os desconhece nunca compreenderá verdadeiramente como germinou a ascensão do nazismo, de que Hitler é apenas o expoente.
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23 fevereiro 2019
O DIA EM QUE OS MILITARES ENTRARAM PELO PARLAMENTO DENTRO
Há cem anos, a Alemanha calcorreava penosamente os dias que se seguiram à derrota da Grande Guerra. A 19 de Janeiro de 1919 haviam-se realizado eleições para uma Assembleia Nacional constituinte onde os social-democratas do SPD haviam alcançado a maior representação (163 deputados), mas onde as formações da direita somadas mantinham uma maioria absoluta (229 lugares em 421). Falhos de segurança em Berlim, que fora e permanecia a capital, decidira-se que os trabalhos de elaboração da nova Constituição teriam lugar na pequena e discreta cidade de Weimar na Turíngia (35.000 habitantes). O teatro local foi rapidamente adaptado e a sessão inaugural teve lugar a 6 de Fevereiro de 1919 (fotografia acima, com Friedrich Ebert a discursar). Mas os tempos políticos da Alemanha de então eram particularmente violentos. Por exemplo: a 21 de Fevereiro de 1919 o ministro-presidente do estado da Baviera, o social-democrata Kurt Eisner, foi assassinado a tiro em plena rua, em Munique. Seguira-se uma troca de tiros em plena sessão do parlamento regional... Portanto, não é assim de estranhar que a elevada conflitualidade política conseguisse penetrar no ambiente (que se pretendia recatado) dos trabalhos da própria Constituinte. 23 de Fevereiro de 1919, há precisamente cem anos, foi um desses dias: tal terá sido a exuberância das intervenções de alguns dos parlamentares alemães que, para além dos trabalhos terem sido interrompidos, a mesa teve que convocar forças militares para virem ao teatro repor a ordem, expulsando os deputados mais recalcitrantes. É uma daquelas histórias que nem sequer a wikipedia lhes confere a dignidade de uma referência de rodapé. Actualmente, a imagem que retemos de um parlamentar alemão é a de alguém tradicionalmente bem comportado. Mas, sendo esta data de 23 de Fevereiro (de 1981) tradicionalmente consagrada, por acaso, à invasão de um outro parlamento (espanhol) por forças militares, é de toda a justiça recuperar estes outros incidentes, para chamar a atenção que episódios destes, mesmo quando esquecidos, acontecem até nas melhores famílias... Umas fazem-se eco disso, outras escondem-no.
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19 fevereiro 2019
O ATENTADO CONTRA GEORGES CLEMENCEAU
19 de Fevereiro de 1919. O presidente do conselho francês é alvo de um atentado quando saía de sua casa pelas 8H30. Como legenda para a montagem acima, explique-se que Georges Clemenceau foi atingido por um primeiro disparo, mas que conseguiu entrar no automóvel que o aguardava, e que este arrancou perseguido pelo atirador que disparou por mais oito vezes enquanto a viatura se afastava à velocidade que lhe era possível. Clemenceau, que já tinha então 77 anos, fora atingido três vezes. Nenhum dos ferimentos fora fatal, mas uma das balas alojara-se num local tão sensível que os médicos preferiram não a remover cirurgicamente. Mas recuperará: quando vier a falecer, em 1929, com a bonita idade de 88 anos, as causas não se deverão a sequelas do que lhe acontecera naquela manhã de há cem anos. Quanto ao autor dos disparos, tratava-se de um jovem de 22 anos chamado Émile Cottin, que se veio a assumir várias coisas ao longo do julgamento, entre elas anarquista e bolchevique. Uma das omissões que eu acho bizarras sobre o que se escreve a seu respeito, é o que não se diz sobre o que lhe teria acontecido durante os anos da Guerra que acabara de terminar, dado que, como cidadão francês e considerada a sua idade, Cottin teria sido obrigatoriamente mobilizado, a não ser que tivesse invocado razões para ser dispensado. De facto, uma tal falha de pontaria - uma piada recorrente da época, parodiada até pelo próprio Clemenceau - indicia-o pouco treinado no uso de armas de fogo. Mas, sobretudo, o que se pode destacar do episódio é a completa falta de sintonia de pessoas visionárias como Cottin com o pensamento do cidadão médio. Ter escolhido para alvo um venerável ancião de 77 anos que corporizava naqueles tempos, como mais ninguém em França, a tão ansiada Vitória (e Desforra) sobre a Alemanha, era um absurdo. A história do que imediatamente se sucedeu ao atentado comprova-lo-á: apanhado sem munições, os transeuntes que tinham assistido aos disparos terão caído sobre Cottin e sovado violentamente o atirador. Terá sido a chegada da polícia que o terá salvo de ser linchado. É, pelo menos, plausível. Há umas vezes por outras em que o preso aparece em muito mau estado aquando da fotografia da detenção (abaixo) e até pode nem ter sido a polícia a molhar a sopa...
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16 fevereiro 2019
A MORTE DE MARK SYKES DO ACORDO SYKES-PICOT
16 de Fevereiro de 1919. Morria Sir Tatton Benvenuto Mark Sykes (acima, à esquerda), 6º baronete do título, político conservador discreto, que alcançara a patente de coronel durante a Guerra que acabara de terminar. Considerado especialista em assuntos orientais, mas ainda desconhecido à data da sua morte, o nome de Mark Sykes, (conjuntamente com o do francês François Georges-Picot - à direita), vai ganhar gradual relevância histórica e política à medida que os anos passarão, por causa do acordo que ambos haviam negociado em 1916, em que dividiam as esferas de influência britânica e francesa no Médio Oriente, numa configuração que irá definir até hoje as fronteiras internacionais naquela região (abaixo). Mas a razão para evocar a sua morte há cem anos é muito mais pueril do que as convulsões da Grande Estratégia. Mark Sykes encontrava-se então em Paris, fazendo parte da equipa de negociadores britânicos para a Conferência de Paz que ali decorria. Tinha então apenas 39 anos e morreu vítima da Gripe Espanhola, que continuava a ceifar tão discreta quanto metodicamente milhares de vidas todos os dias*, como que complementando as desgraças do conflito que terminara. No caso de Mark Sykes, que já era tenente-coronel, comandante do 5º batalhão dos Green Howards em 1914, acrescia o remate irónico que, por causa das suas conexões, ele conseguira passar os quatro anos da Grande Guerra sem ter exercido, uma vez que fosse, o comando de tropas nas trincheiras...
* Este gráfico mostra uma evidente ressurgência dos casos mortais entre os pacientes londrinos em Fevereiro de 1919.
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14 fevereiro 2019
A BATALHA DE BEREZA KARTUSKA
14 de Fevereiro de 1919. Na pequena cidade de Biaroza (actualmente conta com 30.000 habitantes e situa-se na Bielorrússia ocidental) trava-se aquela que alguns autores consideram a primeira batalha de um conflito polaco-soviético que se irá prolongar pelos dois anos seguintes. Ficou conhecida com a designação da mesma povoação, mas em polaco: Bereza Kartuska. Tratou-se de um engajamento táctico menor: cerca de 60 polacos confrontaram-se com um destacamento soviético de efectivos um pouco superiores (80). Mas foram os polacos que venceram.
Em condições normais, o poder militar polaco não teria qualquer capacidade de se opor ao russo. Mas as condições de há cem anos estavam longe de ser normais. A Primeira Guerra Mundial acabara há três meses. E a Polónia reconstituída, reunindo territórios que haviam pertencido aos Impérios russo, alemão e austríaco, era um país apenas em nome, sem instituições nem fronteiras. As forças armadas vencedoras da batalha existiam mas ainda não possuíam sequer enquadramento legal, que apenas virá a ser aprovado pelo parlamento polaco (Sejm) dali a duas semanas, a 26 de Fevereiro de 1919.
Do lado dos russos, o regime era mais antigo mas nem tanto assim: a famosa revolução que levara os bolcheviques ao poder tivera lugar em Novembro de 1917, há apenas quinze meses. E a partir daí o poder soviético confrontara-se com uma guerra civil. Se os meios militares dos soviéticos eram muito superiores aos polacos, também é verdade que aqueles tinham que os dispersar por causa da multiplicidade dos seus inimigos. Se na Europa Ocidental já se negociavam os termos da Paz, do outro lado do continente, a sua instauração ainda iria demorar mais uns dois ou três anos...
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05 fevereiro 2019
O CENTENÁRIO DA PRODUTORA UNITED ARTISTS
5 de Fevereiro de 1919 é considerada a data de fundação da United Artists, um dos grandes estúdios de cinema de Hollywood. A denominação - artistas unidos - foi-a buscar à composição inicial do capital social da empresa, detida em partes iguais pelos actores Charlie Chaplin (1889-1977), Douglas Fairbanks (1883-1939), Mary Pickford (1892-1979) e pelo realizador David Griffith (1875-1948). A ideia original da associação era associar os protagonistas da indústria cinematográfica para que eles fizessem frente ao poder crescente das grandes corporações cinematográficas. Não foi bem assim, mas a história destes cem anos é extensa e irrelevante para esta evocação. Para mim, na década de 80, a United Artists tinha este belíssimo logo que aparecia no princípio dos filmes que produzia.
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18 janeiro 2019
ABERTURA DA CONFERÊNCIA DE PAZ DE PARIS
18 de Janeiro de 1919. É o dia da abertura da grande Conferência da Paz que, em Paris, se propunha criar a nova Ordem Internacional que se seguiria ao fim da Grande Guerra. Para o efeito, o próprio presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, cometera a proeza inédita de se deslocar pessoalmente à Europa para as conversações com os outros representantes das potências vencedoras. Na capa do livro acima, vêmo-lo à direita, acompanhado do anfitrião francês Georges Clémenceau ao centro e do primeiro-ministro britânico David Lloyd George à esquerda. As personagens principais estão de cartola, as secundárias de palhinha. O livro em questão, intitulado Paris 1919 - Seis Meses que Mudaram o Mundo é um excelente livro para nos explicar aquilo que aconteceu durante a Conferência. Está muito bem escrito e estruturado, recebeu por isso o Prémio Samuel Johnson em 2002 (é considerado o mais prestigiado prémio literário britânico para obras de não ficção). O único óbice é que não está traduzido - pelo menos para português europeu. E é nestas ocasiões que apetece descarregar a nossa ira frustrada:
a) Nos críticos literários domésticos que se especializaram em não perceber um avo de obras de não ficção.
b) Nas editoras portuguesas, por não se darem ao trabalho de traduzir e editar em tempo estas obras de referência (para vergonha, a versão turca de Paris 1919)
c) Nas mesmas editoras portuguesas, porque, quando finalmente editam uma dessas obras, ao fim de uns vinte anos, fazem uma promoção que apenas as menoriza.
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15 janeiro 2019
A POROROCA DE MELAÇO QUE INUNDOU UMA PARTE DO PORTO DE BOSTON
15 de Janeiro de 1919. Na zona portuária da cidade de Boston, aproximava-se a hora de almoço (12H30), quando rebentou um enorme depósito de melaço praticamente cheio, um colossal cilindro de 15 metros de altura e quase o dobro de diâmetro (27 metros), com uma capacidade de 8.700 m³. Em consequência da explosão, o melaço espalhou-se aceleradamente (a uma velocidade estimada de 50 km/h) por todas as redondezas, na forma de uma gigantesca pororoca viscosa e peganhenta, inicialmente com cerca de uns 12 metros de altura, embora tivesse vindo a perder progressivamente altura e potência à medida que o melaço se esparramava pelas várias ruas circundantes e por uma área progressivamente maior. No final, a inundação de melaço cobria uma extensão de inúmeros quarteirões mas ficava-se apenas pelo meio metro de altura. Contudo, até aí, a torrente, de uma substância de uma densidade e viscosidade assaz superior às torrentes tradicionais de água, derrubara edifícios à sua passagem, engolindo pessoas e animais incapazes de fugir. O acidente deixou um rasto de 21 pessoas mortas debaixo dos escombros dos edifícios esmagados ou afogadas naquela substância viscosa. Para além disso, registaram-se 150 feridos, cobertos de melaço da cabeça aos pés. Cem anos depois, o acidente reveste-se do insólito suficiente para ser evocado.
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05 janeiro 2019
OS PRIMÓRDIOS DO PARTIDO NACIONAL SOCIALISTA DOS TRABALHADORES ALEMÃES
5 de Janeiro de 1919. Era fundado em Munique, capital da Baviera, um pequeno partido político que foi denominado por Deutsche Arbeiter-Partei (DAP). Os seus fundadores são hoje desconhecidos: incluíam o seu primeiro presidente Anton Drexler (1884-1942, na fotografia acima), o jornalista Karl Harrer (1890-1926), o engenheiro Gottfried Feder (1883-1941) e o jornalista Dietrich Eckart (1868-1923). E a militância era pouco mais do que os fundadores, situava-se na ordem das dezenas de militantes, mas em Setembro de 1919 o DAP iria ser enriquecido com a adesão de um militante (o 55º) cujo nome já será bastante mais familiar ao leitor: Adolf Hitler (1889-1945). A presença deste último militante entre o núcleo dirigente do DAP veio a provocar uma inflexão significativa no partido. Meses depois, em Fevereiro de 1920, o DAP mudou o seu nome para NSDAP (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiter-Partei). E em Julho de 1921, e por causa da popularidade que granjeara como orador, Adolf Hitler substituiu Anton Drexler à frente do NSDAP. O resto da ascensão do partido com o seu novo dirigente são episódios tão conhecidos, que se dispensa a sua menção nesta ocasião da celebração do centenário da organização.
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18 dezembro 2018
A OCUPAÇÃO FRANCESA DE ODESSA
18 de Dezembro de 1918. Soldados franceses desembarcam e ocupam a cidade (hoje) ucraniana de Odessa. A cidade, então com cerca de 400.000 habitantes, a quarta maior e quiçá a mais cosmopolita das cidades que compunham o antigo Império Russo (a população era composta por 42,5% de russos, 36% de judeus, 15% de ucranianos, 3% de polacos, etc.), era também o seu porto comercial mais importante. Razões estratégicas impedem contudo que o porto tenha um grande valor como base naval - o acesso aos oceanos de todos os portos situados no Mar Negro é condicionado por quem controle a sua única saída no Bósforo e Istambul*. Ora os franceses haviam acabado de ocupar esta última cidade e a sua intenção era utilizar as instalações portuárias de Odessa para dali prestarem apoio militar/logístico às diversas formações que, na Ucrânia e na Rússia, combatiam o poder bolchevique. A ideia parecia interessante quando configurada em Paris mas, no terreno, as realidades parecem ter-se sobreposto aos estrategas de salão: a ocupação francesa de Odessa durou tão somente três meses e meio: assim com o chegaram, partiram a 3 de Abril de 1919.
* Um pormenor que Vasco Pulido Valente aqui há uns tempos não parece ter percebido lá muito bem.
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14 dezembro 2018
AS PRIMEIRAS ELEIÇÕES BRITÂNICAS DEPOIS DO FIM DA GRANDE GUERRA
Sábado, 14 de Dezembro de 1918. Foi nesse dia que, em Lisboa, o presidente Sidónio Pais foi assassinado a tiro na estação de caminho de ferro do Rossio, quando se preparava para apanhar um comboio para o Porto. Mas essa efeméride será melhor assinalada noutros locais. No Reino Unido disputaram-se eleições legislativas, as primeiras que tinham lugar depois de oito anos - dos quais, mais de quatro anos com o Reino Unido engajado na Grande Guerra. Foram eleições notáveis, pode-se dizer mesmo históricas, em mais do que uma perspectiva. Em primeiro lugar, foi a primeira vez que os actos eleitorais decorreram simultaneamente nos 707 círculos eleitorais (por sinal, um número record de círculos eleitorais, nunca mais repetido). Dada as características do sistema eleitoral britânico, em que a eleição em cada círculo é independente dos restantes, as eleições decorriam tradicionalmente ao longo de semanas (as anteriores haviam sido de 3 a 19 de Dezembro de 1910), conforme as conveniências locais. Mas esta foi a primeira vez em que o acto eleitoral foi simultâneo para todo o país, como hoje é prática corrente em quase todas as eleições em toda a parte. Em segundo lugar, e também pela primeira vez, nestas eleições participaram todos os britânicos maiores de 21 anos e também as britânicas maiores de 30 anos. Não só o direito de voto foi concedido a todos os homens adultos como também às mulheres maiores de 30 anos. A justificação apresentada para a discrepância de idades entre os dois sexos prende-se com os efeitos que a Primeira Guerra Mundial causara na diminuição do eleitorado adulto masculino britânico (mais de 700.000 mortos). Mas o efeito da expansão foi o eleitorado potencial praticamente triplicar de 1910 para 1918, de 7,7 milhões de eleitores potenciais para 21,4 milhões. Mas, por causa dos milhões ainda incorporados no exército e estacionados em França (o armistício que pusera fim à Primeira Guerral Mundial fora assinado há apenas um mês) e que não tiveram condições de poder votar, a afluência às urnas ficou em menos de metade do seu potencial: 10,4 milhões de eleitores (49%). Mas é só tomando em consideração todas estas circunstâncias e também a profunda mudança de natureza do eleitorado que se pode compreender alguns dos resultados eleitorais que essas históricas eleições de há cem anos vieram mostrar.
A vitória foi para os Conservadores (assinalados a azul claro) que, com 38,4% dos votos, conseguiram a maioria absoluta dos lugares da Câmara dos Comuns (382). A sua vitória foi ampliada pelo facto de os seus tradicionais rivais, os Liberais, se terem apresentado ao escrutínio divididos entre apoiantes do primeiro ministro David Lloyd George (a amarelo claro) e do seu antecessor Herbert Asquith (em amarelo escuro). Em conjunto eles representavam 26,4% dos votos, só que divididos quase igualmente entre ambos (13,4% e 13,0%, respectivamente), embora as peculiaridades do sistema eleitoral fizesse que os apoiantes de Lloyd George (em concertação com os Conservadores seus aliados) tivessem conquistado 127 lugares, enquanto que os de Asquith se ficaram apenas pelos 36 (o próprio Asquith perdeu a eleição no círculo onde se apresentava). A terceira grande formação política da Grã-Bretanha eram os Trabalhistas (vermelho), a quem a extensão dos direitos de voto haviam feito triplicar o resultado eleitoral (20,8% dos votos), embora isso não se tivesse traduzido numa subida equivalente da sua representação parlamentar (57). Mas tudo isso era o retrato eleitoral da Grã Bretanha. Na Irlanda (que também fazia parte do Reino Unido), o panorama era dominado pela cor verde escura dos nacionalistas radicais do Sinn Féin. A votação alcançada por eles não impressionava quando contabilizada face ao total (4,6%), mas a realidade política era bem outra quando se tomava em consideração que eles haviam concorrido apenas na Irlanda, onde haviam conquistado 73 dos 105 lugares em disputa. Também eram os responsáveis por uma outra novidade: a primeira mulher a ser eleita para a Câmara dos Comuns, Constance Markievicz. Contudo, tanto ela quanto os outros 72 eleitos da sua formação recusaram-se a tomar assento no parlamento londrino. O que fizeram foi reunirem-se em Dublin para aí constituírem o primeiro parlamento irlandês. Como se depreenderá, estas eleições de há cem anos foram as últimas em que a Irlanda acompanhou o resto do Reino Unido no mesmo momento político, embora os nacionalistas o tivessem aproveitado para um outro propósito. Quanto ao partido Liberal, dividido, implodiu, e a alternância democrática passou a fazer-se entre os Conservadores e os Trabalhistas. E quanto à participação feminina na política, o Reino Unido é um dos pouco países no Mundo que conta já com duas primeiras-ministras. Este é o que se pode designar por um acto eleitoral que foi uma charneira da História, mas os eleitores que nele participaram não tinham forma de o saber.
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13 dezembro 2018
O PRIMEIRO PRESIDENTE AMERICANO NA EUROPA
13 de Dezembro de 1918. Depois de uma viagem de nove dias, o presidente Woodrow Wilson chega à Europa, desembarcando no porto francês de Brest. Trata-se da primeira vez que um presidente norte-americano em funções se deslocava à Europa, mas a sua presença torna-se indispensável para as negociações de pós guerra que iriam culminar com a assinatura do Tratado de Versalhes. Esta ia ser a primeira visita de muitas visitas de muitos presidentes americanos ao velho continente mas, ao vermos o instantâneo em que se vê o presidente a passar o portaló, tendo dado a precedência à sua esposa Edith, percebe-se que, algures nestes cem anos, houve qualquer coisa que se perdeu em termos de boa educação entre os ocupantes da Casa Branca...
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04 dezembro 2018
A VIAGEM PRESIDENCIAL
4 de Dezembro de 1918. Início da viagem transatlântica do USS George Washington, transportando a bordo o presidente Woodrow Wilson (1856-1924) com destino à Europa. Voltaremos a falar do ilustre passageiro quando do centenário da sua chegada à Europa, mas, por ora, concentremo-nos na curiosa história do navio, que fora lançado à água em 1908. Com um deslocamento de 33.000 toneladas (o que o tornava então o terceiro maior paquete do mundo), o George Washington fora originalmente construído nos estaleiros de Stettin e operava sob bandeira alemã para a Norddeutscher Lloyd. A escolha do nome devera-se ao facto de o navio ter sido destinado a fazer a carreira que ligava os portos da Europa do Norte (Bremen, Southampton, Cherbourg) aos da costa Leste dos Estados Unidos (especialmente o de Nova Iorque), servindo uma clientela internacional. Tradicionalmente, os paquetes alemães eram mais lentos mas também mais confortáveis que os seus rivais britânicos. Aquando do afundamento do Titanic em Abril de 1912, o George Washington encontrava-se naquelas mesmas paragens, tendo assinalado a presença de um iceberg que se crê ter sido o que veio a afundar o grande navio da White Star. Foi a chegar a Nova Iorque que o início da Grande Guerra o foi encontrar, em Agosto de 1914. E, porque os Estados Unidos haviam permanecido neutrais, ali ficou internado até à sua entrada no conflito, quando o navio foi requisitado pelos americanos para o transporte de tropas e a sua tripulação foi totalmente substituída. O que não foi preciso mudar foi mesmo o seu nome... Na fotografia acima vêmo-lo durante esta viagem, acompanhado (ao fundo) por um dirigível que o escolta.
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02 dezembro 2018
A IMPORTÂNCIA DAS FRONTEIRAS INTERNAS DA JUGOSLÁVIA
1 de Dezembro de 1918. Proclamação do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, país que mais tarde se viria a denominar Jugoslávia. Hoje, que seria a ocasião do seu centenário, não passa de uma memória. Não durou o tempo sequer de celebrar as suas bodas de diamante. Sempre foi um país em que, mais importante do que as fronteiras com o estrangeiro, o problema eram os contornos das fronteiras interiores. No quadro acima exibem-se quatro modelos distintos da sua organização política e administrativa (de cima para baixo e da esquerda para a direita): as sete províncias (1918-1922), reorganizadas em trinta e três oblasts (1922-1929), depois reconvertidas em nove banovinas (1929-1939). Depois em 1945 passou-se a seis repúblicas, complementadas em 1974 com duas províncias autónomas (a tracejado). Foi o formato mais estável, mas colapsou em 1991.
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25 novembro 2018
A ÚLTIMA RENDIÇÃO DA GRANDE GUERRA
25 de Novembro de 1918. Mbala é, ainda hoje, uma remota vila do nordeste da Zâmbia. Contava com 17.000 habitantes em 2000. Situada a 22 km da extremidade meridional do lago Tanganica, mas a 900 metros acima dele, e por isso colocada a uns salubres 1.670 metros de altitude, a povoação passara a ser a sede da administração colonial britânica naquela região desde 1893, quando fora rebatizada com o nome de Abercorn (Escócia). É por esse nome que a podem encontrar assinalada por uma circunferência alaranjada no mapa abaixo. Foi nesse sítio que há precisamente cem anos se desenrolaram as últimas cerimónias que punham fim à Primeira Guerra Mundial. A coluna alemã comandada pelo coronel von Lettow-Vorbeck (que já aqui baptizei de «a raposa da savana») depunha finalmente as armas depois de terem sido informados da assinatura do armistício que ocorrera duas semanas antes. As imagens que existem da ocasião solene foram pintadas por um artista local (acima), uma obra muito menos ingénua do que à primeira vista se possa pensar. Vencedores à direita, vencidos à esquerda, veja-se a diferença das árvores de cada lado ou o facto do primeiro ter comparecido de automóvel e o segundo montado a cavalo (na realidade, os britânicos enviaram uma viatura que transportasse comodamente o vencido). De uma certa forma, esta cerimónia perdida no meio de África é que põe fim à Grande Guerra. Só com a assinatura de von Lettow-Vorbeck é que deixará de haver alemães em armas por uma causa imperial, causa essa cujo imperador já há umas semanas perdera o poder...
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23 novembro 2018
PHILIPPE PÉTAIN, O HERÓI E O VILÃO
23 de Novembro de 1918. Há cem anos e recém terminada a Primeira Guerra Mundial, uma França vencedora e reconhecida, elevava Philippe Pétain à condição de Marechal de França. Precisamente vinte e cinco anos depois, a 23 de Novembro de 1943 (acima), essa mesma França, agora ocupada pelos alemães, assistia aos esforços das autoridades encabeçadas por esse mesmo Philippe Pétain para tornar aceitável um regime de colaboração em que os franceses eram a parte subordinada. O prestígio de Pétain era um elemento incontornável desse esforço. E cem anos depois (abaixo), Philippe Pétain continua a ser essa personagem histórica complicada, herói do primeiro dos grandes conflitos mundiais do século XX e vilão do outro. A História é feita por homens e escrita por outros homens, mas é evidente que, para a preservação da memória, tanto a Política quanto a Informação não precisam deles complexos...
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