15 outubro 2019

A EXECUÇÃO DE LÁZLÓ RAJK

15 de Outubro de 1949. Lázló Rajk (1909-1949), um dirigente comunista húngaro do após-guerra e um dos principais rivais à disputa do poder dentro do partido é enforcado depois de um breve julgamento de uma semana. A acusação era de "titismo", numa alusão às influências autonomistas (em relação à tutela soviética) que emanariam do comportamento inspirador de Josip Broz "Tito" (1892-1980), o dirigente comunista supremo da vizinha Jugoslávia. Emulando o que acontecera dez anos antes na União Soviética, quando Estaline patrocinara a sangrenta Yezhovshchina, os dirigentes comunistas dos países do Leste da Europa que se haviam instalado no poder desde 1945, também selavam as suas disputas políticas realizando espectaculares julgamentos que produziam sentenças à medida. O irónico é que era muito difícil simpatizar para além dos princípios com as vítimas destes processos sumários. Lázló Rajk, que então contava apenas 40 anos, fora o ministro do Interior desde a instalação dos comunistas no poder na Hungria, o responsável pelas polícias e pela repressão (1945-49). Houvesse sido ele o vencedor da disputa política e ninguém tem dúvidas que teria sido Mátyás Rákosi (1892-1971), o seu rival, conjuntamente com os seus apoiantes, a balançar(em)-se da ponta de uma corda. Há 70 anos, aprecie-se a discrição como o assunto é noticiado pelo Diário de Lisboa de então, onde nem sequer se nota qualquer esforço para aproveitar a crueldade do acontecimento como propaganda anti-comunista. Nem era preciso... Mas porque o assunto raramente é abordado nessa perspectiva, convém recordar que, em muitos países onde foram poder, os comunistas mataram-se também uns aos outros.

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