01 setembro 2017

O MASSACRE DE BESLAN


1 de Setembro de 2004. No primeiro dia do novo ano escolar na Rússia um comando de chechenos, composto por um número ainda hoje indeterminado de sequestradores mas que se estima entre os 32 e 34, ocupou uma das escolas da pequena cidade de Beslan na República autónoma da Ossétia do Norte. O número de reféns é, também ele, ainda hoje impreciso mas estimado em mais de 1.100 pessoas, distribuídas entre uma esmagadora maioria de crianças (quase 800), professores e pessoal escolar e também encarregados de educação, ali presentes porque se tratava de um dia especial. A escolha daquele objectivo pelos independentistas chechenos justificava-se por várias razões de que vale a pena destacar uma.

Dois anos antes, aquele mesmo movimento independentista checheno havia desencadeado uma acção de características muito semelhantes só que num teatro de Moscovo: dessa vez foram 40 a 50 sequestradores a tomar como reféns as 850 pessoas que protagonizavam ou assistiam a uma peça de teatro. Mantendo a posição de dureza negocial em situações congéneres que, de reputação, herdara dos tempos soviéticos, o governo russo recusou-se a ceder às exigências dos chechenos e, ao fim de quatro dias de impasse, as autoridades russa deram ordem para que o teatro fosse assaltado. Nesse assalto morreram à volta de 170 pessoas, incluindo 130 reféns, estes últimos sobretudo por causa de um gás usado para a neutralização dos terroristas.
 
O desfecho dessa outra crise não fora propriamente um sucesso de imagem para o poder russo, a identificação do gás que provocara tantas mortes é, ainda hoje, um mistério (por exemplo), mas a crise também se saldara por uma evidente derrota dos rebeldes chechenos, que não chegaram a conseguir sentar os seus adversários à mesa das negociações. Era uma aposta deles que, desta vez em Beslan e com tal proporção de crianças entre os reféns, os russos seriam compelidos a negociar. O preço da reputação perdida seria excessivo. Os chechenos enganaram-se na aposta: cumprindo a tradição de dureza, ao terceiro dia as tropas russas assaltaram as instalações escolares. Por uma última vez, os dados também são imprecisos quanto ao número de vitimas: a melhor estimativa aponta para 385 mortos e 738 feridos. Dos mortos, 87% (334) eram reféns e um pouco menos de metade (186) eram crianças. Mas a reputação da dureza negocial russa nestas circunstâncias mantém-se preservada.

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