31 dezembro 2013

GRANDES E PEQUENOS ACIDENTES ou O FERIDO EM COMBATE

Não quero despedir-me de 2013 sem assinalar o contraste informativo da forma como se podem noticiar os grandes e os pequenos acidentes. Por um lado, houve o do antigo piloto Michael Schumacher que, começando por ser noticiado de forma anódina, se veio a revelar muito sério, mesmo de consequências possivelmente fatais. E, em contraste, houve o do ainda ministro José Pedro Aguiar-Branco que, conforme se pode ler na notícia acima foi-nos desde logo apresentado em toda a sua gravidade: uma lesão muito grave do tecido ósseo (…) que requer especiais cuidados e acompanhamento médico. Tudo isto por causa de uma fractura do perónio, que nem sequer requereu a imobilização com gesso. Nem se imagina como Paulo Pinto de Mascarenhas, o jornalista ao serviço da causa, descreveria a condição de Aguiar-Branco se a fractura tivesse sido no fémur ou na tíbia, os dois principais ossos dos membros inferiores… Enquanto Michael Schumacher luta pela vida, José Pedro Aguiar-Branco exibe mediaticamente (cortesia do Correio da Manhã e de Paulo Pinto de Mascarenhas) a sua condição de ferido em combate.

Adenda de 22/01/2014: É interessante ver o contraste do conteúdo noticioso desta acima com uma outra notícia posterior, de um atropelamento de que resultou a fractura do fémur, uma intervenção cirúrgica e um período de imobilização previsível de dois meses e meio: ...o bom é que ele não se feriu gravemente. - chegou a comentar o ortopedista que assistiu o atropelado. Este Paulo Pinto de Mascarenhas mais o ministro da Defesa são mesmo uns piegas, umas amélias. características que lhes devem conferir muita popularidade na pasta em causa...

O ALMOÇO DO CASAL

Pelo contraste e a pretexto de um almoço inesperado acabado de combinar à última da hora, deixem-me publicar aqui esta fotografia do italiano Luigi Ghirri, onde nem a decoração lúdica do restaurante anula o enfado recíproco do casal, uma cena com que decerto já nos deparámos anteriormente e que se adivinha será muito repetida em muitas outras mesas nesta noite de réveillon...

LIBERTAÇÃO DOS ANTIFASCISTAS!

Se o cartaz da manifestação mais abaixo era absurdo, repudiando o racismo ao mesmo tempo que se apelava à expulsão dos chineses, veja-se como este outro cartaz que precede uma das nossas saudosas manifestações do PREC também o é (absurdo), embora de uma forma mais subtil, quando se apela a uma libertação imediata, não por causa de um erro ou de um abuso da justiça, mas somente por causa da condição de antifascistas dos presos. Bons tempos esses, em que, a crer no cartaz, o antifascismo podia colocar os antifascistas acima da lei. E eles eram tantos, os antifascistas... tanto mais que a escassez dos fascistas tornava ainda mais cómodo sê-lo.  

30 dezembro 2013

A IMPORTÂNCIA DA «TRECHCHOTKA» NA HISTÓRIA DA EVOLUÇÃO CIENTÍFICA DO MARXISMO-LENINISMO





A trechchotka (трещотка no original) é um tradicional instrumento de percussão russo, formado pela justaposição de um conjunto de uma dúzia a dúzia e meia de pequenas tábuas de madeira de carvalho que, quando devidamente manipuladas (acima), produzem um som a fazer lembrar aplausos. As trechchotkas costumam ser utilizadas nas peças musicais do folclore tradicional russo que estão associadas aos casamentos (abaixo) e a opinião hoje prevalecente é que, para além da sua função musical, o som produzido por este instrumento, cuja origem se perderá na noite dos tempos, se destinaria a esconjurar os espíritos malfazejos, daí o seu emprego, como forma de protecção futura dos noivos, durante as cerimónias nupciais. Haverá assim naquele clapear o efeito higiénico de quem arrenega uma ameaça.

E é engraçado como essa hipótese antropológica vinda da pré-história russa, esse instintivo efeito protector que o som das palmas teria para os russos, poderá ajudar a explicar um dos aspectos característicos da história russa mais recente, aquela conhecida tendência que as cerimónias soviéticas desenvolveram para que nelas ocorressem extensíssimas salvas de palmas. Durante o apogeu da Grande Purga (1937-38), não era raro que um discurso de Estaline fosse precedido de uns rotundos dez minutos de aplausos entusiasmados, num afã compreensível agora se o virmos como finalidade para esconjurar os espíritos malfazejos do NKVD que andavam muito activos naqueles tempos. Alguns anos depois, serenada a sanha persecutória desses mesmos espíritos e para benefício da coreografia, já os aplausos eram interrompidos por uma campainha para lhes pôr termo, assinalando que aquilo que é demais também chateia (abaixo).

Felizmente reduzidos depois de Estaline à proporção da muito menor intimidação que grassaria entre a assistência, mesmo assim os aplausos concordantes, entusiásticos e prolongados não mais se ausentaram da coreografia de qualquer congresso ou reunião magna do marxismo-leninismo, exportados, conjuntamente com a ideologia e ainda mais outras idiossincrasias, pela União Soviética para o resto do mundo. Na maioria desse mundo, hoje não passam de uma recordação. Mesmo assim, para os mais saudosistas há sempre o gosto revisitado de assistir à indubitável superioridade científica do socialismo mesmo nos dias que correm, consagrada na cenografia da unanimidade, aprovação, aclamação e ovação, como aconteceu ainda o mês passado na Assembleia Nacional do Vietname, depois da aprovação de uma revisão constitucional que fora apresentada pelo governo e pelo respectivo partido comunista e que, como seria de antecipar, foi aprovada com 97,6% dos votos e aquela prolongada salva de palmas...

29 dezembro 2013

ABAIXO O RACISMO!

De tão absurda chega a duvidar-se da sua autenticidade. A ser genuína, esta fotografia de uma manifestação angolana contra o racismo parece ser uma demonstração cabal do quanto a elasticidade das palavras pode ser infinita.

28 dezembro 2013

«FACT CHECKING»

O dia informativo de 27 de Dezembro de 2013 foi dominado pelas consequências de uma actividade que é pouco habitual no jornalismo português: a verificação de factos, conhecida nos países de língua inglesa por fact checking. De facto, os protagonistas da comunicação social doméstica não estarão habituados a ser confrontados com avaliações do rigor daquilo que dizem, como ontem aconteceu com o primeiro-ministro, a propósito do seu discurso de Natal (acima). Por isso, dizem o que dizem, com a segurança da impunidade, e consegue-se até separar entre os que usam e os que abusam – estou a lembrar-me de Paulo Portas – desses arredondamentos da verdade. Ontem, nem se perceberá muito bem as causas da iniciativa, mas muito bem já que os dados do seu discurso sobre a evolução do emprego em 2013 eram falsos, saiu uma inopinada fava a Pedro Passos Coelho.
Trata-se de uma actividade pouco praticada porque inglória. Tomemos o exemplo da notícia acima, também de ontem, que nos informa das vicissitudes de um voo da TAP vindo de São Tomé. Destaca-se da história o pormenor bizarro da nossa companhia não poder utilizar os seus aviões no aeroporto são-tomense por causa do seu peso, tendo de os fretar. Todas as notícias reproduzem essa mesma explicação de uma forma viral. Mas será essa a verdadeira razão para que isso aconteça? Consultadas as fontes percebe-se que os aviões de longo curso necessários para fazer a ligação directa entre Lisboa e São Tomé da frota da TAP são os A-330 e A-340. Ora o avião fretado à White Airways foi um A-310, um aparelho também de longo curso mas substancialmente mais antiquado que os outros tipos e também mais leve, com um peso em vazio rondando as 80 toneladas em vez das 120 a 130 toneladas dos outros dois. Daí, a explicação para que a TAP opere em São Tomé com aviões fretados será, pelo menos, convincente.
A verificação de factos, além de exigir trabalho e método, tem esta faceta desencorajante: a maioria das vezes não se encontra nada e o resultado da actividade nem sequer tem visibilidade. Suspeito que nenhum jornalista terá ido verificar, como aqui se fez, a consistência da informação sobre os voos da TAP. Mas há ocasiões em que essa verificação que normalmente nunca se faz, mais do que útil, teria sido indispensável. Recorde-se o episódio, de que agora se comemora o primeiro aniversário, de Artur Baptista da Silva, o espectacular quadro superior da ONU que iluminou, qual estrela cadente, a quadra natalícia de 2012, com as suas lúcidas análises sobre o reescalonamento da dívida portuguesa. E recorde-se sobretudo a assunção de responsabilidades por parte de Nicolau Santos (acima), gesto de que não dei conta que o primeiro-ministro (ou alguém por ele) ontem ou hoje tivesse feito a propósito da notícia inicial. É por causa desses gestos e da ausência deles que, mesmo quando fazem merda, há pessoas a quem eu continuarei a endereçar a mesma simpatia; e outras não.

OS IRMÃOS DALTON

Verdadeiramente inspirado na última intervenção televisiva de Pedro Passos Coelho permitam-me que vos apresente os Dalton, acima numa imagem estilizada da descrição da situação ideal que ele então nos fez e abaixo naquela mais concreta que se deparará ao português médio adequada aos dias correntes. Recorde-se que, em penhor da seriedade das promessas que nos foram feitas e sufragadas em Junho de 2011, em substituição das de José Sócrates (consensualmente considerado agora um aldrabão), nós há já três meses que devíamos ter regressado aos mercados, recuperando a autonomia entretanto perdida, mas eu não me lembro de ter ouvido ao primeiro-ministro, nem nesta ocasião recente nem noutra, quaisquer palavras de contrição por se ter, e nos ter, enganado... Se calhar, não disse, e a honestidade da vida política portuguesa seria decididamente outra se o tivesse feito.

27 dezembro 2013

O EXEMPLO IRLANDÊS

Durão Barroso deve estar exultante: sempre é melhor que os irlandeses o detestem do que o considerem apenas um pau-mandado dos interesses alemães. A festa de despedida da troika que eles organizaram – para a qual se parece ter feito questão de não convidar o presidente da Comissão europeia – já se realizou há duas semanas e o seu discurso despeitado de reacção à desfeita há uma; porém ainda hoje a imprensa irlandesa procede a uma cuidadosa análise dos comentários então proferidos por aquela figura de proa da diáspora portuguesa.

«De facto, foram os bancos irlandeses que criaram um grande problema, não apenas à Irlanda, mas também aos outros países da zona euro. Uma desestabilização significativa da zona euro que se deveu ao colapso do sector bancário irlandês e que teve lugar sob a responsabilidade das autoridades nacionais irlandesas e das respectivas entidades de supervisão

«Seria errado dar a impressão que a Europa criou o problema à Irlanda e que agora a Europa tem que auxiliar a Irlanda. Na verdade, foi o sector bancário irlandês que se transformou num dos piores problemas mundiais da estabilidade bancária, há que ser honesto acerca disso… O euro não foi o problema (para a) Irlanda, o euro foi a vítima dos problemas criados por algumas práticas, práticas irresponsáveis, do sector financeiro irlandês

A uma boa síntese da resposta irlandesa a esta forma de encarar o problema (que nós por cá tão bem conhecemos...) pode ser lida alguns parágrafos adiante do mesmo artigo do jornal centrista Irish Examiner, de onde extraí aliás, as citações acima:

«O euro estava tão mal estruturado que ele próprio acabou por criar os desequilíbrios que afectaram as economias periféricas, sem que houvesse quaisquer possibilidades de correcção ou solução. Enquanto as autoridade deste país (Irlanda), tanto reguladoras como executivas, eram negligentes e incompetentes – e houve quem emitisse alertas – o dinheiro continuou a chegar aos bancos deste país, vindo da Alemanha, da França, do Reino Unido e de outras fontes europeias. Eles também fizeram avaliações erradas mas, mesmo assim, recuperaram integralmente o seu dinheiro, cortesia do contribuinte irlandês, forçado a fazê-lo por pressão do Banco Central Europeu e da Comissão Europeia.»

Quem disse que não podemos continuar a recolher proveitosos ensinamentos do exemplo irlandês?

PRENDAS NÃO EMBRULHADAS

Adequado à quadra e exibindo uma estética que se vai inspirar descaradamente ao neo-realismo italiano, a fotografia deste garoto austríaco que, num dos anos imediatamente após a Segunda Guerra Mundial, recebe uns sapatos novos. É extensa e complexa, a História da Europa...

26 dezembro 2013

AINDA AS DIÁSPORAS

Regressando ainda ao tema da diáspora portuguesa, porque à caricata iniciativa presidencial de 23 de Dezembro se adicionou o conteúdo do discurso do primeiro-ministro de ontem, com pelo menos quatro referências à emigração, afigura-se-me que poderá haver uma sublimação concertada entre governo e presidência para iludir a debilidade desta situação nacional em que nos encontramos, recorrendo ao expediente da evocação de uma comunidade portuguesa que transcenderá as nossas fronteiras e cuja componente externa pugnará pela nossa imagem no exterior para além de acomodar os nossos enquanto se vivem tempos de dificuldades no país de origem. Trata-se de um mito, quiçá de um artifício de comunicação desencantado quando não há mais nada de jeito para dizer, e é para o desfazer que vale a pena começar por rever o conteúdo do livro de Robin Cohen (acima) a que já aqui me havia referido.
Descontando as diásporas que estão conectadas por conexões políticas fortes e formais, de que o exemplo maior e mais recente foi a Commonwealth britânica quando aquela ainda era constituída exclusivamente pelo Reino Unido e pelos seus Domínios controlados pelos europeus (Canadá, Austrália, África do Sul, Nova Zelândia), as restantes diásporas tendem a ser fenómenos de povos submetidos à ordem internacional, sob a qual se dispersam: desde o exemplo mais clássico e milenar dos judeus, Cohen aborda ainda outros casos, os africanos negros, os arménios, os indianos, os chineses e os libaneses. Por norma e atendendo a estes exemplos, reconheça-se que a dispersão por uma diáspora não constitui uma virtude, antes um expediente. E reconheça-se também que, se o futuro pode perspectivar um reforço das importâncias das diásporas chinesa ou indiana, por exemplo, isso não acontece pelos predicados das comunidades que estão dispersas, antes pelo fortalecimento das respectivas metrópoles.
Uma outra perspectiva importante de analisar as diásporas tem a ver com a sua perenidade. O exemplo milenar dos judeus é enganador. As comunidades emigradas tendem a diluir-se nas sociedades de destino em poucas gerações, a não ser que elas sejam continuamente renovadas por novas levas que preservem a sua identidade. Se cessar a emigração, a diáspora tende a desaparecer. Repare-se nesta reconstrução feita a partir dos dados da demografia portuguesa: quando Portugal iniciou a sua Expansão nos Séculos XV e XVI contava com cerca de 1.250.000 habitantes (estimativa para 1500¹). Desde essa época que Portugal tem sido um país de emigração: só no Século XVI ela representou o equivalente a cerca de 10% dessa população (125.000 pessoas)¹. O número de emigrantes portugueses continuou a aumentar nos Séculos que se seguiram. Uma estimativa demográfica conservadora calculará que hoje existirão pelo menos uns 40 milhões de descendentes da população portuguesa de 1500. Contudo, como Portugal só tem 10 milhões de habitantes, os outros 30 milhões seriam a tal diáspora. Só que já não se dá por ela…
A diáspora portuguesa pode actualmente ser ainda identificável através do incontável número de famílias que possuem apelidos portugueses na Ásia ou do esmagador número de cidadãos brasileiros de ascendência portuguesa que nem necessitam de afirmar a sua ancestralidade visto continuarem a falar o mesmo idioma comum (acima, a actriz indiana Freida Pinto e o ex-presidente brasileiro João Baptista Figueiredo). Mas tudo isso se resume a uma curiosidade sem qualquer relevância política, económica ou social. A História de Portugal dos últimos 500 anos tem sido protagonizada e escrita pelos que cá ficaram. E são os que cá têm ficado que têm feito evoluir a nossa identidade nacional. É indigno de um primeiro-ministro tratar a corrente emigração como se se tratasse de uma casualidade benigna. É um fracasso colectivo assim como o já havia sido a incapacidade demonstrada pelo Estado Novo em industrializar o país e absorver os excedentes da mão-de-obra agrícola durante a década de 1960 (mais acima). Mas, por vezes, nada é mais pedagógico do que colocar um certo distanciamento no assunto que se trata. Observe-se o mapa-mundo abaixo e esclareça-se que se trata da moderna diáspora grega, um país que se depara com o mesmo tipo de problemas que os nossos, embora a uma escala marginalmente superior. Distanciadamente, alguém que me lê acredita que essa diáspora possa contribuir significativamente para a solução dos problemas gregos? Se não, de que servirá então evocar a diáspora portuguesa?
¹ Atlas of World Population History, p. 102.

«MERRY CHRISTMAS MR. LAWRENCE»


Já me terei aqui referido por várias vezes ao filme e suponho que o terei feito também em relação à forma como o filme termina, à imagem final de um sorriso quase infantil do sargento Hara, que fora um dos piores déspotas do campo de prisioneiros e que estava agora à beira de subir ao patíbulo, quando evoca um episódio caricato de um Natal passado, quando as...
...relações de força eram precisamente opostas. O sorriso não o inocenta mas justifica-o, um peão de brega produzido pelas circunstâncias, de um fundo não propriamente mau. E o que mais me assusta nas mensagens de Natal de Pedro Passos Coelho não é a inverosimilhança do que ele diz, como a falta de convicção quando se refere às preocupações sociais, é a sensação...
...implícita de prenúncio de desastre, de um filme de que já conhecemos o enredo, do momento em que tudo – Portugal, a Europa e Portugal na Europa – se possa subverter e mais não reste a Pedro Passos Coelho assegurar-nos das suas boas intenções e evocar-nos uma cumplicidade numa tarefa – falhada – para a qual nos arrastou sem nunca nos ter verdadeiramente liderado.

Adenda: Embora assinalando a minha discordância quanto às especulações iniciais quanto à autoria do discurso e às opiniões que se seguem quanto à necessidade de uma natureza religiosa empática com a maioria dos portugueses, subscrevo o que resta nesta opinião sobre o discurso de ontem de Pedro Passos Coelho, sobretudo a conclusão: o primeiro-ministro anda a viver num país diferente de uma apreciável maioria de portugueses

25 dezembro 2013

DIA DE NATAL


Não há substituto para aquela sensação de desfrutar em dia de Natal das prendas recebidas mesmo que, neste caso, se trate de uma das prendas que ofereci.

FELIZ NATAL


- Imagino se lhe poderei solicitar a sua atenção por uns breves momentos para ter para consigo um gesto que não é, nem por sombras, uma obrigação desagradável e que se tornou, com o decorrer dos anos, uma prática governamental mais ou menos corrente quando nos aproximamos da fase terminal do ano – o civil, claro, não o fiscal - na realidade, e mesmo não querendo ser demasiado rebuscado, esta Penúltima Semana. Submetendo-lho com a maior deferência, para sua apreciação numa ocasião que considere mais propícia, mas numa sincera e sã expectativa – quiçá confiança – quiçá poder-se-á ousar dizer mesmo esperança – que o período supramencionado poderá ser considerado, depois de feito um balanço prévio, quando todos os factores relevantes foram devidamente tidos em consideração e numa apreciação global que os faz ser tidos em conta de uma forma que não pode, nem por sombras, vir a ser considerada negativa nos seus efeitos e que os propiciará, em análise final, virem a ser considerados bases para uma apreciação, na sequência de uma reflexão amadurecida, que seja conducente à geração de um grau de satisfação que pode ser classificado, sobretudo quando avaliado em retrospectiva, significativamente mais elevado do que aquilo que seria a média expectável.
- Está a tentar desejar-me Feliz Natal, Humphrey?
- Yes, Minister.

A cena já tem trinta anos, mas o que é bom parece não envelhecer.

24 dezembro 2013

DIÁSPORAS E DISPARATES

Global Diasporas é um livro que conta já com uns bons quinze anos de edição: ainda o comprei na respeitável Buchholz. E o autor – Robin Cohen – nem sequer parece pretensioso: limita-se a propor-nos uma introdução ao tema. Mas o livro valerá certamente algo mais do a modéstia da proposta, dado já ter sido editada uma 2ª Edição em 2008. E é uma pena que a sua leitura, onde se descreve e sistematiza quais os vários géneros de que as diásporas modernas se podem revestir, não nos possa ajudar a perceber o que se pretende alcançar substantivamente com o apelo feito pelo presidente da república aos emigrantes em funções de destaque para ajudarem a imagem e a credibilidade do seu país. Não será gesto que qualquer cidadão patriota se disponha a fazer naturalmente, sem que haja qualquer necessidade desses apelos?
Descontada a superfluidade do apelo, quem parece estar a trabalhar para uma certa concepção de imagem e de credibilidade serão os membros constituintes de um tal de Conselho da Diáspora Portuguesa, que realizou o seu primeiro encontro, pretexto para o tal de apelo e para uma daquelas fotografias de família (acima) que, considerada a quadra, nos faz lembrar um mostruário de bolas de natal com as mais garridas em lugar de maior destaque para se realçarem na fotografia. Pelo que ficou explicado, regista-se positivamente a ausência do emigrante em funções de destaque António Guterres e regista-se negativamente a presença de António José Seguro, a quem deram um lugar garrido, corroborando a impressão bastante difundida que a densidade do seu pensamento se assemelha à do interior de uma bola de Natal…

O «JINGLE» LUSÓFONO E TRANSATLÂNTICO

Foi num dos anos do princípios da década de 1970 e precisamente nesta quadra de Natal, numa época em que a familiaridade dos portugueses com os vários sotaques brasileiros se ficava apenas pelas canções de Mara Abrantes ou pelos sketchs do Badaró, que a Varig se atreveu a colocar um anúncio na televisão portuguesa musicado por um jingle que fora concebido originalmente em 1967 para o mercado interno. A Varig, que passava então pela companhia de aviação de bandeira do Brasil¹, estaria então no apogeu da sua história e procurava estimular, mas também captar, uma nova dinâmica de viagens por parte da comunidade portuguesa radicada no Brasil que acabara de se tornar possível devido ao transporte aéreo. Uma vinda a Portugal por alturas da quadra natalícia tornava-se então possível para quem já se habituara a passar anos sem vir à terra. Pela sua novidade, o jingle teve impacto² e, mau grado as especificidades linguísticas, os portugueses muito rapidamente perceberam quem era papai noel
¹ Não o era porque havia concorrentes, embora menores, como a Vasp ou a Cruzeiro.
² A versão aqui apresentada não é rigorosamente a original que passou em Portugal, é uma versão brasileira algo posterior, provavelmente de 1974, note-se a alusão no final do anúncio aos novos aviões DC-10, que haviam sido introduzidos pela Varig naquele ano. Mas o jingle é rigorosamente o mesmo.

23 dezembro 2013

TV NOSTALGIA – 76 ou o «PRODUTO ACABADO DA ALIENAÇÃO DA BURGUESIA»


Ao contrário das 75 precedentes, a Nostalgia TV que se evoca para este episódio não tem directamente a ver com os Jogos Sem Fronteiras (esses já foram canonicamente evocados no número 74 da série), antes com um certo género de crítica televisiva castiça de uma certa época revolucionária. A propósito desses mesmos Jogos Sem Fronteiras, a edição de Sábado, 19 de Junho de 1976, do jornal Página Um (considerado próximo do PRP/BR) publicava a crítica televisiva abaixo, intitulada A Fronteira do Absurdo:
Numa coluna que apresenta diariamente alguns dos programas televisivos merecedores de certo destaque, não mereceria, nem de longe nem de perto, referir o suprasumo da idiotice e da asneira que é o Jogos sem Fronteiras - 1º Programa, Sábado, às 21 e 50. Mas acontece que é esse o programa que a RTP escolha para apresentar ao público no dia, e à hora, de maior audiência. Aliás, o espectáculo repetir-se-á, visto tratar-se de uma série de sete jogos, concluindo com uma eliminatória.
Jogos sem Fronteiras, que o público português já conhece do ano passado, é um produto acabado da alienação da burguesia dos países da Europa Ocidental, que nem sequer consegue proporcionar um certo divertimento. Esta gincana de disparates realiza-se em várias cidades europeias; e a RTP, que falta totalmente nas manifestações de cultura popular, impinge-nos os divertimentos decadentes com que a burguesia europeia fomenta a alienação e o embrutecimento.
Entretanto, o 2º Programa (que nem todos os telespectadores conseguem captar) apresenta música de qualidade e clássicos do cinema português.
Que lógica é esta?

Foram anos em que prosperaram os críticos de televisão atestados de certezas do que seria melhor para o povo, intérpretes auto-assumidos do gosto popular, detentores de uma verdade que merece confrontação com esta volúpia actual com que o proletariado passou a consumir produtos (ainda mais aperfeiçoadamente) acabados da alienação da burguesia: exemplo do Big Brother ou da Casa dos Segredos. Nesse aspecto, a página da crítica – como muitas outras noutros jornais progressistas que interpretavam os gostos do povo naqueles tempos – torna-se muito mais caricatamente risível do que a puerilidade dos concursos dos Jogos Sem Fronteiras propriamente ditos…

TAYLORISMO JORNALÍSTICO

Todos os dias surgem indícios de uma mais extensa aplicação da racionalização do trabalho na linha da escola taylorista à actividade jornalística. Compete ao jornalista do fundo da escala a redacção da matéria mas competirá a alguém mais elevado da hierarquia a tarefa mais qualificada de a sintetizar num título que seja apelativo. Só essa especialização (mais a incompetência da revisão…) consegue explicar o aparecimento de contradições como a da notícia acima: o avião que atingiu o prédio tinha aterrado ou ia descolar?

22 dezembro 2013

VERÃO DE 42

Verão de 42 foi por cá estreado nos princípios do Verão de 72. Haviam-se passado 30 anos para que os acontecimentos originais chegassem à tela mas já se passaram mais de 40 depois disso. O filme conta uma história que tem uma idade certa para ser vivida e por isso torna-se também num filme que tem uma certa idade para ser visto; a música de Michel Legrand sintetiza essa história como poucas melodias de filmes o fazem.

TITÃS

A fotografia da esquerda é de Elliot Erwitt e a da direita de Robert Mapplethorpe. Complementares no género, as fotografias são também algo distintas no enquadramento, mais clássica e mais social a exibição dele, mais recatada mas também mais desnudada a dela. Esclareça-se que não passa de coincidência a publicação desta minha montagem fotográfica no dia da realização do toplessaço na praia de Ipanema, mas há que concordar que musculaço também seria um bom título para este poste.

21 dezembro 2013

НОВУЮ КОНСТИТУЦИЮ СССР ПОДДЕРЖИВАЕМ, ОДОБРЯЕМ!

É uma pena que a esmagadora maioria dos leitores deste blogue não saibam ler russo, para que se apercebessem de imediato do potencial irónico da fotografia acima sem as explicações que se impõem: o letreiro por cima das senhoras dos secadores não tem nada a ver com o que elas ali fazem: é uma proclamação apaixonada de aprovação (ПОДДЕРЖИВАЕМ) e apoio (ОДОБРЯЕМ!) à nova constituição da União Soviética (НОВУЮ КОНСТИТУЦИЮ СССР), que acabara de ser aprovada – por unanimidade, como de costume – em Outubro de 1977. Único pormenor incorrecto: as utentes dos secadores – de um aspecto inequivocamente unânime – são 11,5 e não 13 como os juízes do nosso Tribunal Constitucional. A fotografia é de Igor Gavrilov.

20 dezembro 2013

AS «MINAS» DE «O CASO TORNESOL»

É quase no fim daquela aventura que o tanque conduzido por Tintin se depara subitamente com um campo de minas disposto na estrada para o bloquear. Porém, sendo a intenção clara de Hergé retirar dramatismo às cenas da perseguição na fuga dos heróis da Bordúria para a Sildávia, o desenho das minas é tal que só nos desperta uma vontade compulsiva de as detonar, como se fossem daquelas bolhas de ar dos plásticos de acondicionamento. O qualidade das grandes obras de BD também se vê na forma como se cuidam destes instintos e destes pormenores.

TV NOSTALGIA – 75


Não me consigo lembrar que título recebeu esta série quando passou na RTP no primeiro semestre de 1972, mas ainda hoje se percebe quanto a música da abertura é inesquecível na sua pujança. Era isso que a pode tornar ainda lembrada depois de 40 anos. Isso e o castiço penteado em franjinha de uma das protagonistas (Kaye Ballard, abaixo) muito anos depois de Beatriz Costa ter saído de moda e alguns anos antes dela ter voltado a estar na moda.

19 dezembro 2013

A (OUTRA) SOLUÇÃO


Se era mesmo para não ter piada, então suponho que os Gato Fedorento teriam uma outra forma de mostrar ao menos alguma graça se, em vez de entrevistarem o façanhudo Steven Seagal para o seu programa de humor,…
…tivessem optado por ir entrevistar a ex-mulher dele, Kelly Le Brock que, apesar de cinquentona, de ter engordado desde os seus tempos áureos e de nunca ter sabido representar (como acontece aliás com o ex-marido),…
…sempre teria a vantagem da beleza e das memórias de uma certa graciosidade que a deixaram associada a momentos mais memoráveis da sétima arte do que as grunhices de Seagal. A fotografia acima é de Denis Piel.

DIZ-ME O QUE COMEMORAS, DIR-TE-EI…

Nos últimos dois séculos Carlos Magno foi uma figura histórica ambivalente, dividido entre as suas raízes culturais indisputavelmente germânicas e as suas ambições políticas imperiais inequivocamente latinas, aprecie-se uma das suas únicas imagens de época num denário cunhado na cidade alemã de Mogúncia já no final do seu reinado (812/814). Esse carácter híbrido franco-alemão fez dele peça de propaganda tanto de Napoleão Bonaparte para atrair alemães como de Adolf Hitler para atrair franceses, além de figura privilegiada à volta da qual o aparelho de Bruxelas ainda pretenderá(?) promover o ideal europeu.
Em 2014 comemorar-se-ão os 1200 anos da morte de Carlos Magno, ocorrida em 28 de Janeiro de 814 em Aquisgrano (Aachen em alemão e Aix-la-Chapelle em francês), a cidade alemã que o imperador elegeu como capital e que foi por isso escolhida para acolher as iniciativas associadas às comemorações. Simbólica e significativamente as iniciativas alemãs impõem-se e as francesas distinguem-se pela ausência. Os esforços destes últimos para 2014 parecem ter-se deslocado para a comemoração de um outro centenário: o do início da Primeira Guerra Mundial em 1914. É outro género de comemoração: menos ambivalente.

18 dezembro 2013

ÍNDIA: UM PROBLEMA DE MERDA


Quem ainda se recordar do filme Slumdog Milionaire lembrar-se-á da repugnante cena em que o protagonista, em busca de um autógrafo numa fotografia de uma vedeta predilecta, mergulha literalmente na poça de merda (acima) que fora deixada pelos utentes do estabelecimento (não sei se lhe poderíamos chamar cagatório…) onde trabalhava.
Esclareça-se que a cena não foi desencantada de um nada porque a questão da insuficiência e da precaridade dos sanitários da Índia conjuntamente com a sociologia envolvente às actividades desenvolvidas quando naquele local, é algo que é muito típico e específico da realidade indiana.
Uma especificidade que se descobre, paradoxalmente, já ser longínqua: encontraram-se nas ruínas de Mohenjo-daro, um sítio arqueológico expoente da antiga civilização do Vale do Indo de há 4500 anos, as primeiras sanitas incorporando um dispositivo de descarga equivalente ao nosso autoclismo moderno (acima).
Contudo, a Índia moderna apresenta números deploráveis no que diz respeito ao saneamento: no Censo de 2011 apurou-se, por exemplo, que ainda havia 4.861 cidades e vilas que não dispõem de qualquer rede, nem mesmo parcial, de esgotos. E, sendo essa a situação sanitária nos meios urbanos, nos rurais ainda é muito pior.
Por isso pode-se afirmar de uma forma bombástica que a Índia possui uma melhor cobertura na rede de telemóveis do que na rede sanitária. Ou que é mais fácil telefonar do que fazê-lo com as mãos lavadas. Mas o paradoxo não se esgotará aí, porque, noutra perspectiva, a capital indiana conta com um dos mais bizarros museus do Mundo.
O Sulabh International Museum of Toilets em Delhi reúne uma mostra única de sanitas e outros adereços relacionados com o acto numa colecção que sobretudo se estranha por atrair visitantes. A Sulabh International é, de resto, uma ONG que tem por objectivo a promoção da instalação daqueles dispositivos por toda a Índia.

17 dezembro 2013

UMA IMPROVÁVEL CANÇÃO DE NATAL


Foram as circunstâncias que fizeram que eu viesse a associar instintivamente e para o futuro este Mamy Blue como se ela fosse uma canção natalícia, ao tornar-se um daqueles sucessos repetitivos nos finais do Outono de 1971, misturando-se naquele ano com as tradicionais canções da quadra.

OS HIPOTÉTICOS SMS DO PROFESSOR SALAZAR

Durante as décadas em que ocupou o poder, tornou-se sussurradamente famosa a prática de Oliveira Salazar de despedir os seus ministros com um singelo cartão-de-visita de agradecimento. Hoje, quando existem sistemas de comunicação de que o presidente do conselho nem sonharia, há quem os utilize para, brincando ao Political Manager (sucedâneo para a política do famosíssimo jogo de simulação Football Manager) e parecendo também dispor (virtualmente) dos ministros, os queira remover com uma igual displicência sucinta. O que me leva à verdadeira razão deste poste: se fosse hoje, que meio empregaria Salazar para informar os seus ministros que os havia demitido? A minha aposta vai para uns pulidos SMS

16 dezembro 2013

TEMPOS MODERNOS

Se durante a crise da década de 1930, a perspectiva da modernidade dos tempos incidia sobre a produção e a indústria, conforme o filme homónimo deChaplin, mais de 75 anos passados e no meio de nova crise onde se tende a desfazer tudo aquilo que naquela época se reputou por indispensável para a sustentabilidade política das sociedades pós-capitalistas, a nova perspectiva de modernidade incidirá sobre a informatização e o consumo, conforme esta caricatura de carta infantil endereçada ao Pai Natal, onde o artigo desejado é descrito pelo seu url no site da Amazon.

UMA PORCA OU O RESULTADO DOS SEUS DEJECTOS?

Foi Rafael Bordalo Pinheiro que em 1900 descreveu e desenhou a Política como uma porca (acima) e com essa imagem nos ficámos quando se pretende mostrar menosprezo pela actividade. Mas suponho que a política de base, a genuína, que hoje se pratica em Portugal possa ser mais do que isso. Tomemos o exemplo de um jovem deputado socialista, anónimo para a esmagadora maioria dos portugueses e que só escapou a essa condição quando a TVI dele se aproveitou para fazer uma reportagem em 25 de Abril de 2012 demonstrando a ignorância e, deduz-se, a impreparação dos nossos jovens parlamentares. Tivemos assim o deputado Rui Pedro Duarte (abaixo a ficha da sua página da Assembleia da República assinalando a sua condição de politólogo) catapultado para os seus quinze minutos de fama embora, com o seu canhestrismo em evadir-se às perguntas para as quais não sabia evidentemente as respostas, reconheça-se que não propriamente pelos motivos mais nobres.
Súbita e surpreendentemente, descobri o mesmo backbencher regressado a outro momento de fama cerca de um ano e meio depois e ainda na mesma legislatura, agora acusado do pecado da ubiquidade por ter conseguido, há coisa de um ano, ter estado no Parlamento e no Brasil simultaneamente. Mas o melhor é mesmo quando se descobre que a promotora de tal acusação é uma rival sua na corrida para a liderança da secção concelhia do PS por Coimbra cujas eleições tiveram lugar este fim-de-semana, será isso que terá provocado esse assomo de consciência de Cristina Martins, a tal camarada de Rui Pedro Duarte. Mau grado o assomo de civismo (denunciando uma falha de que os jornalistas nunca se aperceberiam não fosse a denúncia), Rui Pedro Duarte venceu as eleições concelhias com um resultado de uma robustez de oitenta e tal por cento, números que não teriam desagrado à ANP de Marcello Caetano, um dos tais nomes que ele ignorava quando da entrevista da TVI. A porca pode servir de metáfora da política mas só apenas a partir de um nível em que ela é acompanhada pela atenção e (consequente) escrutínio da opinião pública; abaixo disso, ao nível concelhio partidário, mesmo distrital, apercebemo-nos nestes pequenos episódios, do quanto a política pode ser uma estrumeira.

15 dezembro 2013

MÁRIO SOARES E OS RETORNADOS


Dura apenas dois minutos mas é preciosa a passagem deste trecho de entrevista dada por Mário Soares em Maio de 1974 à televisão francesa onde o podemos ouvir a exprimir-se em mariossoarês, aquele dialecto do francês que até parece inteligível com a nossa língua, que era naquela época uma novidade idiomática, e que depois, com o tempo, tem vindo a cair no esquecimento. Registe-se também o radicalismo político das declarações - atribuível ao entusiasmo e/ou à inexperiência de então do entrevistado - mas sobretudo a ligeireza das respostas de Soares (1:55) à questão sobre o problema do possível retorno das centenas de milhares de portugueses em África, um fenómeno com que os franceses estavam bastante bem familiarizados por causa daquilo que lhes acontecera com a independência da Argélia em 1962 (abaixo), mas que então não parecia incomodar sobremaneira o novo ministro dos Negócios Estrangeiros português, apesar da sua proclamada francofilia que o fizera exilar-se em França. Onde estivera mas onde, pelos vistos, não aprendera grande coisa...

ICONOCLASTIAS INTERESSANTES


É tão interessante quanto curioso (embora haja decerto quem veja iconoclastia na falta de ortodoxia militante da associação...), o aproveitamento que se pode fazer de algumas fotografias do fotógrafo dinamarquês Peter Funch para ilustrar algumas das mais famosas composições de Fernando Lopes Graça.