30 junho 2013

AS PROMESSAS CARAS DE UM FALA-BARATO

Acho utilíssima a iniciativa de Rui Rio solicitar a Luís Filipe Menezes as informações sobre patrocinadores e montantes por ele já angariados para que se venha a concretizar o regresso do Rali de Portugal ao Porto nas próximas três edições da prova. Tendo obtido a concordância prévia dos dois outros mais importantes candidatos à autarquia portuense, a solicitação do actual presidente vai no sentido que o seu companheiro de partido concretize em nomes e números aquilo que até aqui designou em campanha e genericamente por a economia, a tal que irá financiar as suas promessas. Pena que não haja mais disto espalhado pelo país...

PORQUE É QUE AS CEBOLAS NOS FAZEM CHORAR?

Especialmente inspirado nos 226 manifestantes da passada quinta-feira que, da frente da Assembleia da República, deram por eles perdidos no meio de Lisboa e logo por acaso num dos acessos à ponte sobre o Tejo. Uma verdadeira situação trágica mas também cómica, a merecer a pergunta pertinente do Rowlf.

Podem não saber disso, mas eu no fundo sou um cão muito sentimental. Choro com facilidade. As cebolas, por exemplo, deixam-me banhado em lágrimas.

Admito que racho as bananas.
E que aos Ovos de Páscoa gosto de os pintar
Mas eu nunca magoei uma cebola
Porque é que elas me fazem chorar?

Uma vez fiz um molho de salada
Que era mesmo uma coisa de encantar
Mas eu nunca magoei uma cebola
Porque é que elas me fazem chorar?

Esmurrei batatas, esmaguei cerejas
Preparei uma alcachofra, tudo feito numa demão
Também bati natas e mexi ovos
E até fiz uma bola de um melão

De tudo o que acima disse, sou culpado
Se punido, terá sido por confessar
Mas eu nunca magoei uma cebola
Porque é que elas me fazem chorar?
Oh, porque é que elas me fazem chorar?

29 junho 2013

ARITMÉTICAS POLÍTICAS

Em Outubro de 1955 realizou-se um referendo sobre a natureza do regime vietnamita. Quando da publicação dos resultados eleitorais oficiais desse referendo, registou-se uma vitória esmagadora de preferências pela opção republicana de governo (5.721.735 votos) sobre uma ínfima minoria de simpatizantes da causa monárquica (63.017) – correspondente a uma proporção de 98,9%. Mas o que confere a esta um estatuto diferente à de todas as centenas de caricaturas de eleições realizadas sob ditaduras por esse mundo fora é o pormenor, não devidamente realçado pelos cabeçalhos da imprensa, que haviam sido escrutinados (5 721 735 + 63 017 =) 5 784 752 votos quando havia apenas 5 335 668 eleitores registados. Ou seja, houve quase mais 450 000 votos que eleitores¹
Porém, pior do que cometer erros é habituarmo-nos a eles. A sociedade vietnamita pareceu desenvolver com isso uma tolerância benigna a contas que não faziam sentido. Quase trinta anos depois, na sua edição de 4 de Fevereiro de 1975, podia ler-se na primeira página do The Saigon Post, um jornal de língua inglesa que se publicava na então capital do Vietname do Sul, uma resenha da actividade do jardim zoológico local ao longo do ano que acabara de findar. E precisava: haviam recebido 137 200 visitantes dos quais 98 000 adultos e 38 400 crianças. Não classificados nem como adultos nem como crianças, não havia nenhuma referência aos 800 visitantes em falta, apetecendo-nos perguntar se haviam sido outros animais que tinham ido visitar a família e/ou tinham desaparecido durante a visita aproveitados para alimentação dos crocodilos?
Falando mais a sério, a República do Vietname desagregar-se-ia dali por três meses. Entre nós parece estar-se a  desenvolver um embrutecimento semelhante diante da inconsistência e da incompetência associada aos números que vão chegando ao nosso conhecimento.

¹ É um fenómeno muito mais frequente do que se pensa: veja-se esta notícia a propósito das recentes eleições paquistanesas.

À SOMBRA DE UM PRÉMIO NOBEL DA PAZ

O episódio da deserção e das denúncias produzidas por Edward Snowden tem sido explorado pela comunicação social de todo o Mundo com um desinteresse de acabrunhar, considerada a importância daquilo que foi denunciado. Não se tivesse ela apercebido dos esforços das autoridades norte-americanas em apanhar o denunciante e é possível que as descrições da espionagem automática que incide sobre todas as comunicações que foi feita por Snowden ter-nos-iam passado praticamente desapercebidas. Mas o que gostaria de atribuir mais significado é o empenho demonstrado neste e noutros casos (como o de Julian Assange) pelas autoridades norte-americanas em azarar despudoradamente, à vista da opinião pública, a vida aos que interferiram realmente com os seus interesses. Desmentindo hipocrisias do passado, quando se desculpavam com falta de meios para capturar criminosos nazis. Prova dos limites a que actualmente se dispõem a ir, comprova-se agora com a capacidade de bloquear o acesso a páginas de jornais on-line. E tudo isto acontece sob a égide de uma administração de um presidente norte-americano de excelente imagem mediática, galardoado preemptivamente em 2009 com o prémio Nobel da paz por prometer que ia fazer imensas coisaslembram-se da do encerramento da prisão de Guantanamo? – e que, pelo andar da carruagem, promete vir a terminar os seus dois mandatos continuando a prometer imensas coisas

28 junho 2013

CALAMITY JANE

O formato como a comunicação social se dispôs a cobrir os incidentes com os manifestantes que, alegadamente, se preparariam ontem para bloquear acessos à ponte sobre o Tejo depois de se manifestarem diante da Assembleia da República, faz-me lembrar o estatuto espacial de que gozava Calamity Jane na galeria de personagens das histórias de Lucky Luke. Como a senhora, que convictamente explica no vídeo abaixo que se dirigiu tranquilamente para os acessos à ponte como se a coisa fosse um convite da policia, ela não parece ser propriamente uma fora da lei empedernida como os Dalton, Jesse James ou Billy the Kid, será apenas uma daquelas pessoas assim com uns comportamentos mais bizarros como acontecia com aquela velha legenda feminina do Oeste…

A CHINA ETERNA

Mais do que classificá-la de estética, parece-me haver na escolha dos temas destas fotografias…
…de Yan Ming a perpetuação de uma tradição milenar na escolha dos temas a retratar.

27 junho 2013

CONECTADO AO MUNDO

Fotografia obtida na Rússia, o proprietário desta casa parece ter uma obsessão para se manter amplamente conectado com o resto do Mundo. Da profusão de parabólicas direccionadas para todo o lado também se poderá deduzir que, naquele país, os serviços de televisão por cabo serão uma porcaria…

26 junho 2013

UM PAÍS DO CARAGO

A Austrália é um país longínquo e bizarro. Imagine-se que por lá os primeiros-ministros podem perder a liderança numa votação interna dos órgãos colegiais superiores do seu partido! Como se entre nós, Rui Rio inconformado com Pedro Passos Coelho o desafiasse numa votação do conselho nacional do PSD e ganhasse… Provando quanto a Austrália pertence a uma outra civilização que não a nossa, aprecie-se este extracto de um programa televisivo matinal lá dos antípodas, onde se hesita quanto ao idioma nacional do Brasil e se explica que do caralho é uma expressão de satisfação nesse idioma mas sem se dar mostras de inquirir qual possa ser o significado literal da expressão. Possivelmente será porque aquelas paragens não se devem explorar a fundo as capacidades do dito

«ICH BIN EIN BERLINER» e OUTROS DISCURSOS


Completam-se hoje cinquenta anos que John Kennedy proferiu o famoso discurso onde terminava proclamando em alemão que (também ele) era um berlinense. É uma oportuna lição histórica perguntarmo-nos que significado poderia ter esta mesma frase cinquenta anos depois, se proferida pelos que cá andam, não apenas por Obama, mas também por Pedro Passos Coelho.

Mas, ainda a pretexto de discursos proferidos em alemão por chefes de estado estrangeiros de visita ao país, importa recordar os que foram proferidos de improviso pelo general de Gaulle nove meses antes deste muito mais famoso de Kennedy. E, dando crédito a de Gaulle, perguntarmo-nos também quantos protagonistas da cena internacional de hoje se arriscariam a fazer o mesmo?...

Refira-se que não deixa de ser significativo do ambiente de aparente concórdia mas de hostilidade subterrânea que grassa na União Europeia, ao ver-se a forma peculiar como a euronews cobriu a cerimónia evocativa de um desses discursos de de Gaulle (à juventude alemã), que juntou em Setembro do ano passado o presidente François Hollande e a chancelerina Angela Merkel.

A peça jornalística começa pela deselegância de atribuir a fluência de de Gaulle em alemão ao facto dele ter sido prisioneiro de guerra durante a Primeira Guerra. Isso aconteceu, mas de Gaulle foi libertado 44 anos antes da data do discurso... E inexplicavelmente, vê-se a passagem do discurso em que, como seria apropriado, Merkel diz uma frases em francês, mas não a resposta de Hollande em alemão...

25 junho 2013

O «GEFREITER»

Certo dia da década de 1920 ou 1930, durante uma entrevista a um jornalista, um veterano daquela que era então conhecida pela Grande Guerra (Primeira Guerra Mundial) contou um episódio em que, estando a almoçar com os camaradas nas trincheiras, ouviu uma voz interior a mandá-lo levantar-se dali e a mudar-se imediatamente para um outro sítio. A instrução era tão imperativa e tão clara que o destinatário obedeceu como se se tratasse de uma ordem militar. Levantou-se e andou uns vinte metros de trincheira com a marmita na mão até ao local indicado, onde se sentou e regressou aos seus pensamentos. Acabara de o fazer quando se sentiu um estrondo e um clarão vindo do sítio de onde acabara de sair. Um tiro da artilharia inimiga acabara de acertar em cheio no meio do grupo de onde ele acabara de sair e todos os que o integravam tinham morrido.
Este é o género de história que se poderia ouvir a muitos veteranos de guerra, escutado com um misto de respeito temperado por um cepticismo disfarçado, como acontece tradicionalmente com estes episódios premonitórios que salvam a vida do narrador. Mas o que tornava especial a narrativa, o que fazia com que a audiência do veterano fosse um jornalista estrangeiro, ainda para mais naqueles anos em que ainda abundavam destas reconstituições, era o nome do veterano: Adolf Hitler. Para uma formação política – o NSDAP – cuja referência mais marcante era a injustiça do desfecho da Grande Guerra, o comportamento do seu líder máximo durante o conflito revestia-se de uma importância crucial. Desde cedo que a máquina de propaganda nazi – o habilidoso Doktor Goebbels – se apercebeu que esse aspecto da imagem tinha que ser melhor trabalhado.
E havia muito trabalho a fazer. Ao contrário de, por exemplo a segunda figura da hierarquia nazi, Hermann Göring, que fora um aviador herói de guerra creditado com 22 vitórias e condecorado com a Pour Le Mérite, Adolf Hitler nunca passara de Gefreiter. Ora Gefreiter é um posto assaz discreto na hierarquia militar alemã, o segundo a contar de baixo, apenas superior à categoria de soldado. A habilidade de Goebbels consistiu em transformar esse modesto registo militar de Hitler durante a Guerra no de um combatente normal, embora empenhado e de convicções firmes desde a primeira hora. É assim que em 1933, numa pesquisa que poderá ser interpretada como uma sessão precoce e politizada do jogo infantil Onde Está o Wally o vão identificar numa fotografia tirada numa das principais praças de Munique acolhendo o desencadear da Guerra em 1 de Agosto de 1914 (abaixo).
Adolf Hitler, que tinha então 25 anos e era súbdito austríaco, dispensado do serviço militar no seu país por razões médicas, pediu uma licença especial para servir como voluntário numa unidade bávara. E dois meses depois estava na frente de batalha, a tempo de participar na Batalha da Flandres em Outubro de 1914. A Hitler foi dada a tarefa de mensageiro. Transmitiam as mensagens entre os postos de comando (PC) quando as linhas de telefone não estavam instaladas ou deixavam de funcionar – o que era tão frequente que era preferível ter soldados encarregues dessa função a tempo inteiro. Segundo o próprio, tratava-se de uma tarefa arriscada conforme ele se descreve numa carta sujeitando-se a uma morte quase certa sob uma saraivada de metralha em cada metro do percurso. Outras investigações mais recentes parecem indicar que afinal Hitler estaria adstrito ao PC do regimento, que normalmente se situava a quilómetros da frente.
Corroborando que haveria alguma pose da sua parte, há nestas duas fotografias, a imediatamente acima e abaixo, algo que sugere aquele retrato psicológico de quem se exibe por não conviver directamente com o perigo. Era um fenómeno conhecido das nossas Guerras em África que os soldados que mais se dispunham a enviar fotografias suas de camuflado e G-3 para a família eram aqueles que não precisavam de os usar em situações de stress, porque não iam para o mato. Acima, Hitler é o único dos soldados daquele abrigo mal iluminado a deixar-se fotografar de capacete (pickelhaube) posto e abaixo mostra-se prazenteiro para fazer um serviço que, atendendo ao enquadramento urbano, só poderá ser de sentinela. Todavia, o mais provável é que as condições em que servia tivessem ido mudando: em Outubro de 1916, com dois anos de frente, Hitler foi ferido numa perna, atingido por um estilhaço de artilharia.
É neste momento que o departamento do Doutor Goebbels o porá depois a reclamar, pedindo para não ser evacuado... Mas foi, acabando por passar os cinco meses seguintes a recuperar num hospital de Berlim. Regressou à frente em Março de 1917, nas mesmas funções de mensageiro, com um estatuto de veterano mas o mesmo posto, e a crueza do facto a demonstrar a falta da apreciação dos seus superiores como um potencial condutor de homens. Na Primavera de 1918, perto de Soissons, quando Adolf Hitler transportava uma mensagem encontrou uma patrulha de quatro franceses e, cheio de iniciativa e sangue-frio, de pistola em punho, aprisionou-os. Virá depois a ser condecorado no Verão com a Cruz de Ferro de 1ª Classe, única, conjuntamente com a dos ferimentos em campanha, das condecorações militares que envergará depois da ascensão ao poder.
No Outono de 1918, a situação militar já se mostrava muito complicada para os alemães. A contribuição norte-americana em homens e material havia provocado um desequilíbrio na frente que os obrigava a recuar progressivamente. Em 14 de Outubro, a abrir a que viria a ser baptizada por Batalha de Courtrai, os britânicos desencadearam um bombardeamento prévio com gás mostarda. A guerra química banalizara-se e tornara-se também num jogo psicológico: uns dez minutos depois da barragem ter cessado, uma última salva vem apanhar os soldados alemães desprevenidos, já sem máscaras e a recuperar fôlego. Entre os surpreendidos estava Hitler que, momentaneamente cego, teve de ser evacuado agarrando-se a camaradas nas mesmas condições. A guerra para ele terminara, tendo ido recuperar desta vez para um hospital em Pasewalk na recatada Pomerânia Ocidental.
Hoje torna-se praticamente impossível avaliar com objectividade o desempenho de Adolf Hitler como combatente ao longo daqueles quatro anos como Gefreiter, de Outubro de 1914 a Outubro de 1918. Por um lado, os anos do III Reich permitiram a sonegação e a criação de documentação conveniente para sustentar a tese do soldado aplicado com arremedos de coragem que prenunciavam a sua ascensão a Führer. Por outro lado, há factos incontornáveis, as condecorações mas também as (não) promoções que recebeu, mas trata-se do género de pessoa de que todos têm uma opinião, o que influenciará certamente quaisquer análises que se pretendam fazer. Contando com estas restrições que se poderá dizer com segurança sobre o Gefreiter Adolf Hitler? Sobretudo que foi um individuo que teve sorte apesar de tudo, num conflito que mobilizou onze milhões de alemães e onde um em cada seis desses mobilizados veio a morrer.

24 junho 2013

CEM ANOS DEPOIS

Acho muito imaginativa esta montagem que reúne o mítico Titanic com o seu sucessor actual como maior navio de passageiros do Mundo, o Allure of the Seas. A propósito dela e da distância de cem anos que separa os dois navios ocorreu-me uma reflexão desencadeada pela recente proposta de António José Seguro sobre o desemprego na Europa em 2020. Regressemos por momentos a um século atrás, aos anos em que o Titanic foi construído e se afundou, e imaginemos alguém a fazer planos para o futuro da Europa em... 1920. Teria sido um exercício vão, a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a implosão dos impérios russo e austro-húngaro que se lhe seguiu destruiriam todos os pressupostos desses planos e a única justificação do planeador de 1913 teria sido a estabilidade da situação europeia nos 40 anos antecedentes. Contudo, em 2013, neste século temos o privilégio de já não ter essa desculpa/ilusão. O quadro europeu actual é, reconhecidamente, instável: não se sabe se a União Europeia sobreviverá e, se isso acontecer, em que tipo de organização se transformará. Esqueça-se a sonoridade da coisa: não mandaria pelo menos a prudência que António José Seguro não fizesse propostas tão categóricas a um horizonte temporal de sete anos de distância?…

BOAS IDEIAS QUE NÃO PASSARAM DE BOAS IDEIAS

Suponho que devem ter sido muitos os que, como eu, se devem ter maravilhado quando viram pela primeira vez a associação de aeronaves auxiliares com submarinos, aumentando as capacidades destes últimos – acima são desenhos do álbum O Segredo do Espadão (1947) de Edgar Pierre Jacobs. Aliás, a ideia de associar os dois sistemas de armas surgiu cedo, quase em simultâneo com a dos porta-aviões, ainda durante o decurso de Primeira Guerra Mundial (1917).
Contudo, a prossecução da ideia era dificultada pela evolução simultânea, mas autónoma, da aviação, onde se concebiam aviões cada vez maiores e mais potentes, a necessitarem de cada vez mais espaço de armazenamento e de operação. Ora, se isso pode constituir um problema em qualquer navio de superfície e criava mesmo a necessidade de que os navios porta-aviões fossem cada vez maiores, torna-se ainda pior num submersível onde o espaço é um bem escassíssimo.
Nessas circunstâncias já só passava a fazer algum sentido incluir aeronaves nos submarinos de maiores dimensões, como era o caso do grande Surcouf francês de 1934 (3.300 toneladas de deslocamento, acima) ou então a gigantesca classe I-400 japonesa (6.600 toneladas) transportando três hidroaviões. Os problemas irresolúveis é que os grandes submarinos eram maus submarinos, lentos a submergir, e o emprego dos hidroaviões limitado, porque se precisava de mar calmo para amararem.
O aparecimento do helicóptero foi uma nova oportunidade para a ressurreição da ideia mas, se repararem nas imagens iniciais, ver-se-á que a imaginação do desenhador não resolveu muitos dos problemas práticos que a experiência havia detectado: a) Para ser menor, o helicóptero não tinha motor de cauda, o que tornaria o seu voo instável; b) A zona de aterragem no submarino é perigosamente pequena; c) Quanto tempo demoraria a fixar e recolher as seis pás do helicóptero?

23 junho 2013

«ET POURTANT»


Pourtant é uma daquelas palavras francesas que se classificam por falso amigo, quando têm um significado diferente daquele que se deduziria por analogia com o português. Pourtant é uma palavra adversativa com o significado de todavia, contudo. O conselho de ministros extraordinário deste Sábado em Alcobaça parece um episódio inspirado numa discrepância semelhante, título de uma famosa música de Charles Aznavour (acima), quando o evento nos foi anunciado com pompa (e suscitando temor...), para dele sair apenas depois um ministro (Poiares Maduro) dizendo umas trivialidades¹...

¹ Significativo e simbólico do desinteresse do que ele disse, a notícia do Expresso para a qual linquei permanece há mais de 16 horas com uma gralha escarrapachada no título, rebaptizando o ministro de Poaires Maduro...

22 junho 2013

OS CUSTOS DO SINDICALISMO

Não sei se os jovens deputados da JSD que recentemente se mostraram interessados com os custos com os sindicatos de professores saberão quem foi Lech Wałęsa (1943-) e o que representou a luta sindical do Solidariedade na Polónia de 1980-81… Tão pouco sei se aos veteranos sindicalistas do PCP lhes interessará lembrarem-se de quem ele foi, do que fez naqueles anos... e do que não o deixaram fazer. Mas evocá-lo assim no meio da controvérsia que os confronta aos dois grupos vem mesmo a propósito para realçar as heranças repudiadas pelas duas partes: a social-democrata que então apoiou a luta sindical contra a ditadura polaca; mas também a comunista que apoiava a repressão governamental a essa mesma luta sindical.

21 junho 2013

«FUTUROS» QUE PASSARAM AO LADO DO NOSSO PASSADO

Em 1964 a General Motors apresentava uma viatura conceptualmente nova que baptizou por Runabout (acima). Em 1967, Jean Graton fazia de uma viatura muito semelhante (abaixo, à esquerda) o segredo do futuro sucesso comercial de uma marca automóvel secreta (Leader) que ambicionava erradicar as restantes do mercado. A sério ou na ficção, a estética automóvel dos 50 anos seguintes acabou por optar por passar ao lado das viaturas de três rodas e grandes vidros arredondados e panorâmicos…

PIADAS DATADAS



O humor deste sketch de 1970 dos Monty Phyton assenta no absurdo, desde o soldado que acabou de assentar praça apenas para descobrir quanto é perigoso, aos dois mafiosos que se propõem fazer racketeering a toda uma divisão blindada, até ao oficial que encerra o sketch com prepotência por não lhe terem dado linhas decentes, que tivessem piada. Pergunto-me se o tempo não terá erodido, conjuntamente com o prestígio da instituição militar, aquilo que lhe dava mais graça…