31 outubro 2009

PEDRO PASSOS COELHO EM FOTOGRAFIA

É apenas uma sugestão mas, para aqueles que se perguntam, tanto a sério como ironicamente, quais as razões para tal hostilidade entre os notáveis do PSD para com Pedro Passos Coelho, então usem a fotografia acima de Pedro Passos Coelho cada vez que pensarem nele. Com esse expediente, creio não só que, a situação política actual do PSD se torna mais compreensível como se dispensarão as críticas ao pensamento ziguezaguiante de Pedro Passos Coelho (o original), que ele tem outras virtudes, mas essa não. Há quem pensa por ele...

OS CÃES DE PAVLOV

Na sua famosa experiência (acima) Pavlov começou por fazer um cão associar um outro estímulo (o som da campainha) à visão da comida até que posteriormente o segundo estímulo, mesmo isolado, viesse a provocar no cão a mesma reacção (a salivação) com que ele reagia inicialmente à visão da comida. Chama-se a isto Condicionamento Clássico. Pavlov não terá chegado a conclusões quanto a saber se este processo era irreversível ou, sendo reversível, por quanto tempo ele se manteria na memória do cão e se, quando desaparecesse, isso aconteceria de forma brusca ou intermitente.

Mas as observações que têm vindo a ser realizadas com alguns humanos têm mostrado que o condicionamento clássico pode perdurar pelo menos por uns 20 anos. Tomemos o exemplo da forma como os comunistas analisavam a situação política internacional nos bons velhos tempos da Guerra-Fria: havia os bons – os soviéticos e o campo socialista – e os maus – os americanos e o campo capitalista. Depois, quando a Guerra-Fria acabou e os bons desapareceram, o estímulo dos comunistas contra os maus lá permaneceu, tal qual a salivação dos cães de Pavlov em resposta ao toque da campainha.
De qualquer modo, para os comunistas as análises dos vários problemas de política internacional que foram aparecendo nestes últimos 20 anos continuam, num certo sentido, fáceis de fazer: de que lado é que estão os americanos? Então nós (comunistas) estamos do outro… Claro que esta atitude arrasta consigo os seus disparates, como a de ter de mostrar um mínimo de solidariedade com a religiosidade retrógrada dos talibans afegãos, os antigos inimigos que fizeram vergar o internacionalismo proletário… Mas isso serão trocos dialécticos para quem já explicou a invasão da Checoslováquia!...

Só que, por vezes, mais do que uma questão de dialéctica, torna-se uma questão de ridículo! Nunca percebi muito bem a questão hondurenha, a não ser que devia ser mais complexa que o maniqueísmo (de Pavlov) com que ela costumava ser apresentada. Hoje aparece a notícia do fim da crise, com a recondução do bom (Manuel Zelaya) numa solução diplomática patrocinada pelos maus (americanos) e com fotografias de apoiantes do bom a celebrarem debaixo da bandeira dos maus (abaixo) … Claro que, dialecticamente, tudo se explica, mas eu estou mais como o ditado(*): compreendo melhor os cães
(*) Quanto mais conheço os homens, mais gosto dos cães.

30 outubro 2009

O PROFESSOR MARCELO

É preciso reconhecer que mesmo antes de Maria de Lurdes Rodrigues, já a categoria e o título de professor andavam pelas ruas da amargura na consideração social. Recorde-se, para exemplo e apenas entre os professores que são mais conhecidos, o professor Alexandrino (acima) e as suas hipnotizações, que deixam os hipnotizados hirtos e firmes como uma barra de ferro, ou então, o menos mediático mas não menos famoso, professor Bambo (abaixo) e as suas curas, que são sempre eficazes em aspectos tão distintos da nossa vida quanto a nossa imaginação pode alcançar…

E há, evidentemente e num patamar mais qualificado, o professor Marcelo e as suas famosas análises políticas de Domingo que a todos nos encantam. Nem de propósito, ontem parece ter havido uma operação concertada de (re)lançamento da sua pessoa como próximo líder do PSD (abaixo), dez anos depois de a ter abandonado de uma forma surpreendente e inexplicável, depois de dois congressos que o sufragaram de uma maneira esmagadora (o XX e o XXI), numa atitude que, veio-se a descobrir dois anos depois, parece ser uma característica dos confessandos de frei Vítor Milícias

Caso a encenação desta vaga de fundo o satisfaça e Marcelo Rebelo de Sousa aceite regressar à presidência do PSD, deixa-me antecipadamente curioso a explicação que ele possa dar para a aceitação. Afinal, não é todos que se consegue arranjar uma aldrabice ainda mais imaginativa que o famoso nem que Cristo desça à Terra, garantido em vésperas do XVIII Congresso que o elegeu… Com tantas descidas e ascensões de Cristo talvez fosse melhor que se arranjasse um elevador para o céu, como o que foi descrito por Arthur C. Clarke em 3001, Odisseia Final. Como também seria a odisseia final de Marcelo…

29 outubro 2009

SOBRE O DESPOTISMO EM INSTALAÇÕES ESCOLARES

Ainda no rescaldo dos acontecimentos do Colégio Militar e testando se a atenção dedicada ao assunto pelos deputados do Bloco de Esquerda resulta de uma genuína preocupação com as condições de despotismo dos mais velhos sobre os mais novos dentro dos estabelecimentos de ensino em geral, e não de qualquer sanha anti-militarista, acabei de enviar um e-mail lançando um desafio à deputada Ana Drago (fotografia acima):

Prezada Senhora Deputada

Chegou hoje ao meu conhecimento que esta tarde se verificou uma luta de
gangs à porta da Escola Secundária Camilo Castelo Branco em Carnaxide, onde moro, no seguimento do qual houve um dos miúdos mais novos que acabou em peúgas… Como a considero uma deputada que se tem mostrado publicamente preocupada com os problemas de despotismo nas nossas escolas, como tivemos ocasião de presenciar aliás recentemente naquela sua manifestação à porta do Colégio Militar, vinha propor-lhe a organização de um evento semelhante à porta da Escola Secundária Camilo Castelo Branco em Carnaxide. Não só a SIC fica aqui por perto como lhe asseguro que será muito fácil arranjar muito mais do que três mães preocupadas e não haverá as chatices das contra-manifestações das tias.

Cumprimentos

A.Teixeira

PS – É possível que entre os membros dos
gangs se possam contar alguns membros de minorias étnicas… Não faz mal, pois não?
Das notícias que houver darei conta no blogue.

MICHEL GREG

É simpático ver a configuração adoptada hoje pelo Google (acima), com um desenho evocativo de Astérix. Mas, ao lado do contentamento por este reconhecimento mundial à obra de Goscinny e Uderzo, ocorreu-me como há figuras da BD franco-belga que, ao lado dos grandes nomes como aqueles dois e mais Hergé, Franquin ou Morris, permanecem numa semi-obscuridade injusta.
O exemplo mais destacado dessa injustiça deverá ser Michel Greg (1931-1999), o argumentista (mas também desenhador) franco-belga que é o responsável por um significativo número de histórias de alguns dos heróis mais importantes da BD daquela escola. Da imaginação de Greg nasceram não só mais de uma centena de histórias como também a densidade de todos os heróis que se vêm abaixo:
Achille Talon
Bernard Prince
Bruno Brazil
Comanche
Luc Orient
Olivier Rameau
Zig e Puce
Termino com um pequeno gag de Zig e Puce (O Vagabundo da Ásia) e com a informação de que algumas das capas foram copiadas, com os meus agradecimentos e as minhas recomendações, deste blogue.

28 outubro 2009

A PROIBIÇÃO

Se durante o período da Guerra-Fria era (e hoje actualmente ainda é) costume realçar a herança comum compartilhada entre europeus e americanos, existem, por outro lado, muitos outros episódios históricos que os apartam, como ficou, de resto, bem vincado ao longo dos oito anos (2001-09) que durou a Administração Bush. Exemplo flagrante desse nosso distanciamento em relação ao tratamento que fizemos à nossa herança comum foi o episódio que ficou conhecido nos Estados Unidos como a Proibição.
A Proibição, entenda-se, foi uma proibição geral ao consumo de bebidas alcoólicas – e por isso tornou-se coloquialmente conhecida como a Lei Seca – que entrou em vigor nos Estados Unidos a partir de 16 de Janeiro de 1920. Evidentemente que a Lei tinha raízes em movimentos nascidos no Século XIX no Reino Unido e noutros países anglo-saxónicos em prol da temperança, i.e., da abstinência de bebidas alcoólicas. Contudo, na Europa continental esses movimentos eram considerados pouco mais que uma anedota.
De facto, no resto do velho continente ninguém se parecia importar já que entre os países da Europa meridional aparecia a França a liderar as listas mundiais do consumo de vinho per capita e entre os da Europa Setentrional aparecia a Alemanha a liderar as do consumo de cerveja per capita… Mas, aquilo que a alguns no Reino Unido pareceria grave, ficou a parecer nos Estados Unidos, com a tendência natural dos seus habitantes para os exageros, ainda mais grave… Em 1869 veio ali a ser criado um Partido Proibicionista
Nunca foi um partido de massas, mas o assunto que levara à sua fundação nunca mais saiu de agenda da política americana durante os 50 anos seguintes e quem andava na política como que era forçado a ter uma opinião sobre o assunto: pró (seco) ou contra (molhado) a proibição. Em 1917, quando os Estados Unidos se envolveram na Primeira Guerra Mundial, os congressistas secos suplantavam os molhados na proporção de 2 para 1 e foi assim que a Constituição dos Estados Unidos recebeu um novo Aditamento, o XVIII.
O referido Aditamento, complementado pela Lei Volstead, entretanto aprovados pelo Congresso mas também ratificado por 36 estados dos 48 que então compunham a União tornaram-se efectivos em Janeiro de 1920. E com eles a Proibição. A parte folclórica do resto desta história torna-se mais conhecida a partir daqui: o comércio clandestino de bebidas alcoólicas, os bares, também clandestinos, os milhões arrecadados, a ascensão dos bandos de gangsters, as suas lutas internas e depois as travadas entre eles e o FBI.
Este foi um daqueles casos em que a desobediência social alargada tornou patente que os legisladores, por muito bem intencionados que estivessem, se haviam excedido quanto ao âmbito da interferência na esfera privada do cidadão. Para salvar a face, foi preciso um outro processo legislativo, igualmente complexo, para desfazer tudo o que fora feito, nomeadamente um outro Aditamento à Constituição dos Estados Unidos (o XXI), também ratificado por 36 estados da União – completado em 5 de Dezembro de 1933.
Se o erro foi reconhecido, o fiasco da Lei Seca nunca me pareceu saudavelmente assumido pela sociedade norte-americana. Não me lembro, por exemplo, de piadas sobre o período numa série como Cheers (acima), cuja acção se passava num bar centenário de Boston e onde elas seriam oportuníssimas. Em contrapartida, entre autores da Europa continental, vale a pena evocar os Irmãos Bross (abaixo), uma história de BD francófona, contando de uma forma cómica as desventuras de dois gangsters gémeos completamente desastrados.

27 outubro 2009

OBAMA DECIDIU NÃO DECIDIR POR ENQUANTO

Suponho que uma das actividades iniciais de qualquer estudante de jornalismo é a de aprender a identificar a notícia. Como eu nunca fui a aulas dessas, tenho de pedir a ajuda de algum jornalista que porventura leia este blogue para que me explique qual é a essência da notícia hoje publicada(1) em que Barack Obama afirma recusar-se a precipitar-se a tomar uma decisão quanto às tropas (para o Afeganistão)… Sinceramente, a mim parece-me que não existe ali notícia nenhuma, mas como sou confrontado com o peso de toda a informação mundial custa-me passar um atestado de imbecilidade ao conteúdo de uma notícia com aquele peso e acusar toda uma classe profissional de agir como animais numa manada. Mas daquele teor e como informação, só me lembro - e não sei se mais alguém se lembrará comigo - da Contra-informação, quando José Rodrigues dos Prantos dizia: Toneca Guterres decidiu… nããão decidir!
Só que, para além do que acima reconhece o Tonecas, o reality show é mesmo mundial!

OBTUSIDADE NO QUARTEL GENERAL

Discreta e progressivamente, como costuma acontecer de resto nestes casos, os Estados Unidos estão a alterar a sua aliança preferencial na região do subcontinente indiano, elegendo claramente a Índia em vez do Paquistão como seu parceiro preferencial.

Este mês cumpriu-se mais uma etapa desse realinhamento progressivo, quando o Senado dos Estados Unidos aprovou a legislação – referida na imprensa como a Kerry-Lugar Bill – referente ao programa de auxílio ao Paquistão para os próximos cinco anos, num montante aproximado de 7.500 milhões de dólares. A quantia pode parecer enorme, mas as reacções iradas provindas de Islamabad e de Rawalpindi (em contraste com o silêncio tacitamente aprovador de Nova Deli) mostram que os receptores parecem ser uns ingratos.

No quadro das encenações que rodeiam estes eventos, o Chefe de Estado-Maior do exército paquistanês, General Ashfaq Kayani organizou no principio deste mês uma com todos os seus 122 Comandantes de Corpo (fotografia inicial), onde expressou o desagrado dos militares com as cláusulas constantes deste programa de auxílio agora aprovado(1). Valha a verdade que há uma grande tradição de desrespeito por parte dos militares paquistaneses das cláusulas restritivas ao auxílio que de há muito lhes foi prestado pelos norte-americanos(2).

Mas, no meio desses protestos, tanto os militares paquistaneses e o seu braço político da Jamaat-i-Islami parecem não estar dispostos a aperceber-se que alguma coisa tem vindo (e continua) a mudar na estratégia norte-americana. Por um lado, como escrevi ao princípio, parecem não querer ver que o seu aliado preferencial naquela região para o futuro tenderá a ser a Índia e não o Paquistão e que é apenas o cuidado diplomático em não ferir susceptibilidades que os impede de assumir essa mudança de uma forma mais descarada.

Por outro lado, embora se escreva que ainda não se têm ideias sólidas para a solução do problema afegão, parece claro que na Administração Obama já se aperceberam que, se se mantiver o status quo do passado e não houver pressões sérias sobre eles, os militares paquistaneses nunca se disporão a fazer parte de qualquer solução para o Afeganistão que os Estados Unidos pretendam implementar.

Mas o pior para eles é que a Índia, a arqui-inimiga do Paquistão, terá tido sucesso em persuadir as outras partes que a incapacidade dos paquistaneses para conterem as acções dos grupos terroristas islâmicos como o Jaish-e-Mohammed ou o Jamaat-ud-Dawa é deliberada. O paradoxo é que a causa poderá ser deliberada, mas poderá ser meramente resultado da sua incompetência ou até uma mistura das duas e os militares paquistaneses estão colocados na situação insustentável de não se poderem confessar incapazes de controlar as acções dos extremistas islâmicos que se acoitam dentro do seu próprio país.

Uma das chantagens recorrentes que os militares paquistaneses têm vindo a usar com o exterior nas últimas décadas é que, sem eles, se corre o risco de desintegração do Paquistão. Mas, na prática, para os outros vizinhos do Paquistão, essa ameaça situar-se-á hoje em segundo plano perante as causadas pelos grupos radicais islâmicos que ali se acolhem. Seja entre o tradicional aliado chinês, a braços com as complicações com a minoria uigur muçulmana no Xinjiang, que as considera fomentadas também pelo radicalismo islâmico, seja entre o tradicional rival iraniano que, quando os seus problemas envolvem grupos radicais islâmicos transfronteiriços, até mostra preferir resolver os seus problemas no Paquistão sem passar qualquer cavaco às respectivas autoridades.

Sopesando os restantes factores na balança, convém não esquecer que, para manter a sua permanência no Afeganistão, os Estados Unidos precisam de um Paquistão que se mostre minimamente estável pois é por lá que passam ¾ dos seus reabastecimentos logísticos para aquele Teatro de Operações. Mas convém não esquecer também que a autonomia estratégica do Paquistão já não é o que era, que se transformou num país que não se consegue sustentar financeiramente e que teve de contrair recentemente um empréstimo de 11.500 milhões de dólares patrocinado pelo FMI(3). E todos sabem que poderes estão por detrás do FMI.

(1) Os norte-americanos podem inserir cláusulas deste teor nos programas de auxílio a outros países, lembremo-nos, no caso de Portugal, das cláusulas restritivas que impediam que certo material militar que fora cedido ao abrigo da cooperação da NATO fosse empregue nas Guerras em África.
(2) Desde os apoios para a guerrilha afegã, na década de 1980, que foram transformados em aquisições de armamento convencional para o exército paquistanês até aos fundos para a guerra contra o terrorismo islâmico que tiveram o mesmo destino nesta última década.
(3) Apesar dos esforços desenvolvidos pelo Paquistão junto dos aliados endinheirados: a China e a Arábia Saudita.

26 outubro 2009

O TRANSEXUAL POR CAUSA DO DOPING

Uma das grandes revelações provocadas pela Queda do Muro de Berlim, de algo de que anteriormente se suspeitara mas não se pudera provar, foram os programas de preparação dos atletas (especialmente das atletas femininas) dos países do Bloco Leste que lhes permitiam alcançar resultados desportivos extraordinários mas à custa da ingestão de substâncias que eram proibidas – aquilo a que se costuma dar o nome de doping.
No caso da Alemanha Democrática, um dos casos a que se veio a dar mais destaque mediático, e que serviu aliás de base, como testemunha, aos julgamentos de alguns dos responsáveis pelo programa nesse antigo país, foi o de Heidi Krieger, uma antiga atleta lançadora de peso, campeã europeia da modalidade em 1986, que se terá visto forçada a fazer uma operação de mudança de sexo por causa dos esteróides anabolizantes por ela ingeridos…
O emparelhamento das fotografias com o antes e o depois (acima) tem o seu impacto visual, mas a verdade é que há que reconhecer que estamos perante mais um daquele mitos urbanos, um dos eufemismos modernos para manipulação… O problema da identidade sexual de Heidi, agora transformada em Andreas, Krieger existiu decerto, mas ter-se-á colocado muito antes da ingestão do cocktail de hormonas que fez dele(a) um(a) campeã(o)…
É impossível negar os riscos para a saúde dos atletas de tais tratamentos, mas o caso da transexualidade de Krieger está longe de ter sido a norma para que seja honesto usá-lo como exemplo mediático. Houve milhares de atletas que foram submetidas aos mesmos tratamentos e que não têm problemas de identidade sexual. Lembrei-me de, no mesmo estilo da de cima, justapor fotografias antigas e actuais de antigas campeãs do lançamento do peso.
E foi assim que fiz a montagem das fotografias de três grandes campeãs da modalidade: a checa (ex-checoslovaca) Helena Fibingerova, a também alemã (ex-alemã de Leste) Ilona Slupianek e a russa (ex-soviética) Natalya Lisovskaya. Foram as três últimas recordistas mundiais da especialidade e Lisovskaya permanece como tal desde Junho de 1987 (com 22,63), tendo as três alcançado marcas que são hoje irrepetíveis, porque só o doping as permitia obter…
Aceitando que qualquer delas terá sido provavelmente submetida a um cocktail de hormonas semelhante àquele que foi ministrado a Krieger, como se pode observar pelas fotografias (Fibingerova, Slupianek e Lisovskaya, nesta ordem), constata-se que qualquer das antigas campeãs se tornou entretanto numa senhora cuja presença ainda infundirá respeito, mas nada nelas permite supor que se lhes coloquem problemas quanto à sua identidade sexual…

25 outubro 2009

PEDRO SANTANA LOPES EM MÚSICA

Já que estou numa de postar vídeos aos pares, aproveito para inserir uma dupla de músicas associáveis a Pedro Santana Lopes:

Com o vídeo com o qual ele gostará de ser associado

…e com o vídeo com o qual eu gosto de o associar.

ENCONTROS E DESPEDIDAS EM DUAS VERSÕES

Normalmente não tenho hesitações em escolher a versão de uma mesma música de que gosto mais. Mas há excepções e esta é uma delas. A música é de Milton Nascimento e de Fernando Brant e data de 1985. As interpretações são as duas ao vivo, de Setembro (Maria Rita) e Dezembro (Simone) de 2006. Se insiro primeiro a de Simone é por uma questão de etiqueta:

Mande notícias do mundo de lá
Diz quem fica
Me dê um abraço, venha me apertar
´Tou chegando
Coisa que gosto é poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar
Quando quero

Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega p´ra ficar
Tem gente que vai p´ra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim, chegar e partir

São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida
A hora do encontro
É também de despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar
É a vida…

A CANJA DO POBRE

O Vasco Pulido Valente diz, e bem, que é difícil explicar a mediocridade aos medíocres, e eu acrescento que é igualmente difícil explicar a falta de ar a quem está habituada a respirar tóxicos.
José Pacheco Pereira, Público 24/10/09

Antigamente, quando as galinhas eram criadas nas capoeiras e as suas canjas reputadas pelos seus valores terapêuticos, dizia-se que quando um pobre comia galinha era porque um deles estava doente. Seguindo precisamente essa mesma lógica, quando José Pacheco Pereira cita e, ainda por cima, elogia Vasco Pulido Valente é porque um daqueles dois egos estará doente.

PS – Por se ter mencionado o assunto, será que a proverbial dificuldade de Vasco Pulido Valente em reconhecer os seus erros também terá a ver com essa dificuldade em explicar a mediocridade aos medíocres? É que, implicitamente, também existe a dificuldade dos medíocres em reconhecê-la… Afinal, mesmo partindo do princípio que Vasco Pulido Valente é medíocre, sempre é possível que um medíocre, num momento de rara lucidez, estabeleça uma regra interessante…

24 outubro 2009

CARLOS, O CORAJOSO

Nos princípios de 1990, numa das raras remodelações que Cavaco Silva efectuou ao XI Governo (1987-91), nomeou para a pasta da Defesa o Eng.º Carlos de Brito, distinta figura do Norte, substituindo outra figura da região, o também Eng.º Eurico de Melo. A nomeação data de 5 de Janeiro e os dias sucederam-se sem que o novo ministro desse qualquer sinal de se dispor a vir tomar posse do seu novo cargo… Perante o incómodo crescente da situação, começaram a circular rumores sobre inesperados problemas de saúde, nomeadamente do foro psicológico, do novo ministro da Defesa.
O incidente perdurou durante dois meses precisos, até 5 de Março de 1990, quando Carlos de Brito foi exonerado do cargo sem nunca ter chegado a desempenhá-lo, e vindo a ser substituído por aquela que era então uma estrela em ascensão no PSD: Fernando Nogueira. Na sua Autobiografia Política, Cavaco Silva descreve o episódio em cores suavíssimas(*) e à distância de quase 20 anos, percebe-se hoje que todo o episódio não terá passado de uma daquelas broncas menores do cavaquismo, mas que vale a pena não ser esquecida quanto ao perfil dos intervenientes.
É que quando se anuncia que o principal interveniente, o Eng.º Carlos de Brito, está a lançar um livro para o qual se escolheu o ousado título Regionalização, uma Questão de Coragem, suponho que será tanto uma questão de aposta na falta da memória alheia quanto de falta de vergonha na própria cara a referência a essa coragem que, no momento mais alto da sua carreira política, o ministro-da-Defesa-que-nem-o-chegou-a-ser-na-prática mostrou não ter(**)… Com paladinos corajosos como este a baterem-se por si, creio que a regionalização nem precisa de opositores…

(*) Passado pouco tempo, percebi que tinha cometido um erro. O perfil psicológico de Carlos de Brito não se adaptava ao lugar de ministro da Defesa, como ele próprio me tinha alertado. Pediu-me que o substituísse logo que fosse possível, porque não se sentia bem de saúde (2º Volume, p.110).
(**) Não conseguiu assumir o lugar, nem conseguiu assumir junto de Cavaco Silva que era incapaz de o assumir...

23 outubro 2009

ESTADOS POLICIAIS...

Havendo muitos pormenores a distingui-los, os episódios filmados nos dois vídeos abaixo consistem essencialmente em situações idênticas: trata-se do exercício de uma violência das forças da ordem (que se percebe de uma forma mais do que evidente que é excessiva) sobre um dos membros da assistência durante um evento público. Os dois acontecimentos têm dois anos, o primeiro aconteceu na Suíça, por ocasião de um jogo de apresentação de pré-temporada do Benfica, o segundo nos Estados Unidos, por ocasião de um debate organizado na Universidade da Florida, com a presença do senador John Kerry.
Mas o que é substancialmente diferente para além dos pormenores já referidos e doutros são as reacções das duas plateias… Embora a Suíça seja considerada o país mais disciplinado da Europa, no caso do primeiro vídeo, considerada a previsível composição maioritariamente lusitana da assistência do jogo, talvez esse facto fosse irrelevante. Mas o importante é que a atitude abusiva dos seguranças gerou uma indignação tal fora do campo que provocou uma reacção em crescendo da assistência que se veio a tornar, por sua vez, disparatadamente violenta. O contraste não podia ser maior com aquilo que podemos ver no vídeo abaixo:
Na plateia civilizada da Universidade da Florida apenas se deixam ouvir, aqui e além, algumas expressões indignadas sobre o comportamento que os polícias estavam a assumir. Nem se vê qualquer reacção física aos pedidos de ajuda do detido. Ironizando, comparado com o dos Estados Unidos, é visivel que o poder da autoridade policial na Europa, mesmo na Suíça, parece ser uma brincadeira… Uma comparação interessante: vêem-se 4 seguranças nos incidentes no estádio suíço, mas são 6 os polícias presentes na detenção no auditório. Se calhar deviam lá estar todos porque eram democratas e tinham vindo ouvir John Kerry…

A MAESTRIA DOS OCTOGENÁRIOS

Sendo eu um fã confesso de Astérix, pode ser que parecesse mal se deixasse passar em claro a edição do álbum comemorativo dos 50 anos (acima) que foi hoje editado à escala mundial. Mas se o faço, é apenas para assinalar a efeméride porque o meu interesse por este novo volume – como aconteceu de resto com o que o precedeu – é nulo. Já nem é apenas o facto de quem dava a alma (Goscinny) a Astérix, Obélix e aos restantes habitantes da aldeia ter morrido há quase 32 anos, trata-se já do outro facto de quem lhes deu a aparência (Uderzo) contar actualmente 82 de idade…
Quem quiser acreditar que a contribuição de Uderzo para o desenho do álbum agora editado (acima) terá ultrapassado o simbólico, esteja à vontade… Afinal, parece que entre nós também se aceita pacificamente que um outro autor, esse literário e a caminho dos 87 anos, continue a escrever obras de vulto… Por mim, creio que a natureza tem as suas leis implacáveis a que as leis dos negócios só aparentemente é que se conseguem evadir. Ironicamente, um excelente comentário à esta mestria dos octogenários pode ir buscar-se a um outro álbum de Astérix – mas dos antigos

22 outubro 2009

OS COROLÁRIOS DA LEI DE MURPHY

A Lei de Murphy é conhecidíssima: Se algo pode correr mal, então corre. E é omnipresente: no título acima, por exemplo, escreve-se Leis de Murphy quando na realidade há só uma…

O que existe são os dez corolários da Lei de Murphy, que aqui apresento:

1. Nada é tão fácil quanto parece

2. Tudo demora mais tempo do que inicialmente se pensa

3. Se houver uma possibilidade de que várias coisas corram mal, então a que ocorre é a que provoca mais estragos

4. Quando nos apercebemos que há quatro maneiras possíveis de algo correr mal e nos prevenimos quanto a isso, desenvolve-se logo uma quinta maneira.

5. Entregues a si mesmas, as coisas tendem a ir de mal a pior.

6. Sempre que nos preparamos para solucionar algo, aparece qualquer outra coisa que tem de ser feita com prioridade

7. Qualquer solução também cria novos problemas

8. É impossível conceber algo à prova de estúpidos porque os estúpidos são ilimitadamente engenhosos

9. A natureza tende sempre a ficar do lado dos fiascos

10. A Mãe-Natureza é uma sacana

21 outubro 2009

A OPERAÇÃO LAM SON 719

Se a história que nos Estados Unidos se quis reter da Guerra do Vietname pode ser sintetizada em fotografias como a que aparece cima, a de uma guerra de patrulhas de infantaria atravessando regiões inóspitas em busca de um inimigo que se escondia e só se dispunha a combater em locais à sua escolha, a verdadeira Guerra do Vietname é algo mais complexa que isso. Depois da Administração Nixon ter decidido evacuar todas as forças combatentes dos Estados Unidos, e substitui-los por sul-vietnamitas (a chamada vietnamização), o cenário da Guerra alterou-se significativamente.
Com os norte-americanos agindo cada vez mais como assessores e não integrados em unidades combatentes, a grande maioria das batalhas que tiveram lugar durante a década de 70 foram de tipo convencional, envolvendo imensos meios aéreos e blindados. Um dos primeiros exemplos disso foi a Operação Lam Son 719, uma iniciativa conjunta norte-americana e sul-vietnamita para bloquear e estrangular a Trilha Ho Chi Minh (acima) que era a via de reabastecimento com que, através do território do Laos, o Vietname do Norte abastecia logisticamente a guerrilha no Vietname do Sul (abaixo).
O nome da Operação era pomposo: Lam Son era o nome de uma revolta dos vietnamitas contra os chineses que tivera lugar em 1427 e o 719 resultava da junção do ano da ofensiva (1971) com o número da antiga estrada colonial (francesa) que constituiria o eixo da progressão, a nº 9 que ligava Quang Tri no Vietname a Tchepone no Laos. A Operação estava estruturada em 4 fases que passavam pela conquista, manutenção e posterior evacuação em boa ordem da cidade laociana. A Operação tinha o objectivo político de mostrar as novas capacidades do exército sul-vietnamita, o sucesso da vietnamização.
Descrevendo-a de uma forma necessariamente sucinta, a resistência às colunas que pretendiam progredir ao longo da estrada nº9 aumentou a tal ponto que houve que recorrer a um gigantesco assalto heli-transportado (acima), o maior de toda a Guerra do Vietname, empregando 120 helicópteros Huey(*), para que dois batalhões de soldados sul-vietnamitas conseguissem finalmente conquistar o objectivo final de Tchepone. Para efeitos do objectivo político da Operação esse terá sido o momento da consagração (abaixo). Mas o pior estava para acontecer quando se quisesse proceder à evacuação em boa ordem
Foi aí, debaixo do fogo dos contra-ataques dos norte-vietnamitas que os militares norte-americanos se aperceberam das fragilidades dos seus aliados, nomeadamente a completa perda de disciplina quando em situações adversas (abaixo, soldados sul-vietnamitas pendurados nos patins dos helicópteros de evacuação dos feridos…). Mas, como tantas vezes acontece, essa realidade teve que desaparecer perante as necessidades políticas: para benefício dos seus respectivos auditórios tanto Richard Nixon quanto Nguyễn Văn Thiệu, o presidente do Vietname do Sul, validaram o sucesso da vietnamização
(*) Para comparação, por essa altura a Força Aérea portuguesa dispunha de 100 helicópteros para o conjunto dos seus 3 Teatros de Operações em África. E no conjunto, norte-americanos e sul-vietnamitas perderam 108 helicópteros durante a Operação Lam Son 719.

20 outubro 2009

O LÍDER E A EQUIPA

Hão-de reparar como não é comum propor-me discutir aqui no blogue aspectos da política corrente. Creio que já me estou a repetir quando digo que haverá pela blogosfera demais quem a isso se dedique, e num exclusivo que se chega a tornar maçudo. Mas esta questão da sucessão de Manuela Ferreira Leite dentro do PSD e, sobretudo, dos actuais candidatos mais visíveis a essa sucessão, despertaram-me uma reflexão filosófica acerca da ponderação da importância relativa entre o perfil do candidato a líder e a qualidade da equipa que o rodeia. E nesse aspecto, como se calhar em outros, entre os dois candidatos mais prováveis, o partido está entalado entre dois extremos:
Temos por um lado, em Pedro Passos Coelho, um candidato a líder que se apresenta secundado por uma robusta equipa. Tão robusta é essa equipa que tenho dúvidas se a expressão secundado será a mais feliz para traduzir a forma como concebo a relação entre o putativo líder e algumas figuras da sua equipa como, por exemplo, Ângelo Correia… Por outro lado, com o regresso de Marcelo Rebelo de Sousa, há a certeza de não se correr esse risco, obtém-se um líder genuíno, o professor Marcelo e mais ninguém... Literalmente mais ninguém, a não ser que consideremos alguém pessoas do quilate do figurante de situation comedy que dá pelo nome de José Luís Arnaut…

AEROFLOT

No apogeu da União Soviética a Aeroflot era considerada a maior companhia aérea do mundo. Era ela que dispunha da maior frota de aviões: 11.000 no total! Com o seu símbolo da foice e do martelo alados (acima), símbolo esse que, ao contrário de muitos outros da mesma era, se tem mantido mesmo depois do desaparecimento da União Soviética, a companhia detinha então o monopólio do tráfego aéreo civil no interior do país para além de ser a única companhia soviética que explorava as rotas aéreas comerciais entre a União Soviética e o exterior. Outra característica sua é que operava exclusivamente com aviões de concepção soviética: os Antonov, os Ilyushin e os Tupolev.
Nesse mundo das décadas de 50 e 60, que estava então praticamente dominado a Ocidente no campo da aviação civil pelas construtoras aeronáuticas norte-americanas, especialmente a Boeing e a Douglas, as aeronaves utilizadas pela Aeroflot apresentavam-se como verdadeiras alternativas técnicas aos modelos ocidentais. Na publicidade acima e abaixo, datada do principio dos anos 60 e especialmente dirigida ao mercado anglo-saxónico, a Aeroflot propunha-se competir com as suas congéneres ocidentais em voos de longa distância (Moscovo – Nova Iorque e Moscovo – Tóquio) através do Tu-114, uma aeronave que nada ficava a dever aos rivais Boeing 707 ou DC-8.
Contudo, é verdade é que os narizes tipicamente envidraçados das aeronaves da Aeroflot (abaixo) faziam-nos recordar de imediato como eles estavam preparados para ser reconvertidos em aviões de combate em caso de guerra… Mas a constatação triste deste poste é que a Aeroflot herdeira dessa legendária da era soviética(*), apesar de manter a foice e o martelo no logotipo, ter-se-á rendido finalmente às regras da economia e do marketing, pretendendo trocar até ao fim deste ano, as aeronaves de origem russa por aviões ocidentais da Airbus e da Boeing, mais económicos, e seleccionando as hospedeiras pela figura e pela simpatia… Parece o fim de uma era… também no ar.
(*) Com a separação das repúblicas da União Soviética, cada uma criou a sua própria companhia de aviação. Contando com as privadas, há actualmente centenas de companhias de aviação nos espaços aéreos onde antes a Aeroflot operava exclusivamente.